Clima de 2019 terá ocorrência de chuvas irregulares
A ocorrência de eventos climáticos extremos, como fortes temporais, ondas de calor ou frio intenso e o aumento do período de estiagem tem desafiado os agricultores brasileiros nos últimos anos. O alerta é que há tendência de que em 2019 possam se repetir irregularidades climáticas. “Quando as temperaturas estão mais elevadas como está acontecendo, isso provoca maior instabilidade na atmosfera. E, consequentemente, faz com que haja fenômenos meteorológicos mais intensos”, alerta Francisco de Assis, diretor do instituto de meteorologia.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os anos de 2015, 2016, 2017 e 2018 foram os mais quentes registrados até hoje. O relatório mais recente da organização mostra ainda que, no ano passado, a temperatura média global foi 1°C acima da base pré-industrial (1850-1900). “Devido à dimensão territorial, o Brasil também sofre essas variações de padrões atmosféricos, o que muda o comportamento climático e faz com que haja alta irregularidade na precipitação em determinadas regiões do país. As estiagens que aconteciam normalmente de 10 a 15 dias estão mais prolongadas e mais frequentes”, explica Assis.
O diretor acrescenta que as regiões mais afetadas são produtoras de grãos como o Sul, Sudeste, o norte de Minas Gerais, Espírito Santo e parte da Bahia. Ele lembra que este ano já ocorreu estiagem no Paraná, no Mato Grosso do Sul, no norte de Minas, afetando parte de Goiás e do Distrito Federal. “A agricultura tem aplicado muito o desenvolvimento tecnológico, novas variedades (de culturas), mais resistentes às condições das variações e às estiagens mais prolongadas. Mesmo assim, tem sido muito afetada”, ressalta.
A forte dependência das práticas agrícolas, como plantio, adubação, irrigação, colheita, em relação às condições de tempo tem aumentado a demanda pela utilização de dados climáticos para a produção agropecuária. Estas informações servem para na tomada de decisão das propriedades rurais e podem evitar perdas na produção de alimentos.
Em fevereiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) instituiu um grupo de trabalho de agrometeorologia para fazer diagnóstico dos serviços de meteorologia agrícola do Governo Federal. O grupo é formado por representantes do Mapa, Inmet, Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Federação Nacional de Seguros Gerais e Federação Nacional das Empresas de Resseguros. o prazo final para apresentar todas as propostas é 7 de maio.

