Pesquisadores fazem estudos para criar cítricos resistentes à seca

A técnica consiste em submeter as mudas a situações de déficit hídrico durante a sua formação. Ao receber menor quantidade de água nesse período, a planta desenvolve uma “memória” que a ajudará a enfrentar esse cenário no campo, quando adulta. Isso ocorre porque o desafio imposto provoca as chamadas alterações epigenéticas no vegetal, modificações no genoma que podem permanecer estáveis ao longo de várias divisões celulares e que não envolvem mudança na sequência original do DNA.
A pesquisa avaliou as alterações epigenéticas de dois porta-enxertos (parte inferior que corresponde ao sistema radicular da planta), o limoeiro Cravo e a tangerineira Sunki Maravilha, em combinação com a copa da laranjeira Valência. Essas alterações foram induzidas por recorrentes situações de déficit hídrico. A pesquisa está no escopo de uma série de trabalhos relacionados à tolerância à seca que a Embrapa vem desenvolvendo com diversas culturas, a exemplo da mandioca e da banana, levando-se em consideração o aumento gradativo das alterações climáticas no planeta.
Os resultados do estudo foram publicados no Scientific Reports, periódico on-line do grupo Nature. Foram avaliados parâmetros fisiológicos, moleculares e hormonais a partir da interação entre a copa e o porta-enxerto, as duas partes que compõem a planta comercial de citros. “A ideia é montar novos experimentos com outras combinações copa/porta-enxerto utilizando essa metodologia. Para isso, esse estudo pode ser utilizado como piloto. As informações obtidas poderão ser empregadas no desenvolvimento de uma técnica de manejo com aplicação direta na cadeia citrícola”, destaca o pesquisador da Embrapa Abelmon Gesteira, responsável pelo estudo realizado em cooperação com o Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia, envolvendo as estudantes Diana Neves e Dayse Drielly Vieira, cujas teses de doutoramento embasaram a pesquisa.
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