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Mais produção para o plantio de algodão com uso de plantas de cobertura

🕔11.nov 2016

planta-de-cobertura-1A média de produtividade de algodão em caroço na área com cultivo das plantas de cobertura e semeadura do algodoeiro em Sistema Plantio Direto foi de 5.292 kg/ha, enquanto na área com monocultivo de algodão em sistema convencional a média de produtividade foi de 4.048 kg/ha. Isso significa um acréscimo de 30% (1.243 kg/ha) na produtividade do algodoeiro no sistema plantio direto.

É o que revela pesquisa da Embrapa que vem sendo realizada no campo experimental da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães, município do oeste baiano. O objetivo é mostrar a eficiência das plantas de cobertura na melhoria das características físicas e químicas do solo para cultivo do algodoeiro, resultando em melhor aproveitamento da água e maior produtividade de fibra.

O coordenador do experimento, o pesquisador da Embrapa Algodão (PB) Júlio Bogiani destacou o potencial da cobertura vegetal para conservação do solo e da água, assegurando produtividades superiores mesmo em condições climáticas adversas. “Nos últimos anos, a região Oeste da Bahia vem enfrentando problemas de veranicos prolongados com quedas de produtividade do algodoeiro. Quando esses veranicos ocorrem em estádios de alta demanda de água pela planta, os prejuízos são ainda maiores. Alternativas como a prática do sistema plantio direto (SPD) e o uso de cobertura do solo com biomassa podem minimizar esses problemas, pois diminuem as perdas de água por evaporação, e consequentemente aumentam a eficiência do uso da água do solo pelas culturas”, observa.

Na safra 2014-2015, foram cultivadas duas áreas de mesmo tamanho, sendo uma com algodão e outra com soja. Na área cultivada com soja, imediatamente após a colheita dos grãos, foi feita a dessecação para controle das plantas daninhas e das plantas voluntárias de soja, seguida da implantação de cinco opções de plantas de cobertura para formação de biomassa. Uma área ficou somente com braquiária ruziziensis e as outras quatro com braquiária ruziziensis em linhas alternadas com sorgo granífero, Crotalaria ochroleuca, Crotalaria spectabilis e guandu-anão.

Na safra seguinte, o algodoeiro cultivado após a braquiária ruziziensis em consórcio com o sorgo foi o que apresentou melhor produtividade, chegando a 5.493 quilos de algodão em caroço por hectare. “Nessa área tivemos acréscimo de 1.443 quilos por hectare, o que representa um ganho superior a 35% em relação à produtividade da área com monocultivo de algodoeiro em sistema convencional”, conta Bogiani.

Na área de monocultivo de algodão, o solo foi preparado de forma convencional, com subsolador e grades. Já na área com as plantas de cobertura, o solo não foi preparado mecanicamente, sendo apenas cultivadas as plantas de cobertura até a dessecação com herbicidas para a semeadura direta do algodão. O manejo de adubação e demais tratos culturais foram idênticos em ambas as áreas.

O pesquisador da Embrapa Algodão Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, que estuda sistemas de cultivo de plantas de cobertura para a semeadura direta do algodoeiro, enfatiza que além dos ganhos em produtividade, algumas espécies de plantas de cobertura podem melhorar os sistemas de produção da propriedade, ao minimizar pragas, plantas daninhas, doenças e nematoides para as culturas sucessoras; ciclar nutrientes extraídos das camadas mais profundas; aumentar a capacidade de retenção de água e nutrientes e o potencial produtivo do solo.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE