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Brasil já pode produzir um arroz especial para a culinária japonesa

🕔04.set 2016

arroz para japonêsUma pesquisa realizada pelos cientistas da Embrapa Clima Temperado e da Embrapa Arroz e Feijão acabam de desenvolve uma cultivar de arroz voltada à culinária japonesa. É um arroz mais pegajoso e próprio para comer de pauzinhos, os famosos hashi. Trata-se da cultivar BRS 358, uma semente de grão curto e com baixo teor de amilose – qualidade que o deixa mais pegajoso após o cozimento. “Com essa característica é possível comer usando o palitinho, o hashi”, explica um dos pesquisadores responsáveis pela nova cultivar Ariano Magalhães.

A nova planta é resultado de mais de dez anos de trabalho dos pesquisadores da Embrapa . “A vantagem da BRS 358 é que ela tem os mesmos padrões de qualidade de grãos do material japônico tradicional, mas com uma planta agronomicamente moderna”, informa o pesquisador, referindo-se ao porte baixo da planta, o que a torna resistente ao acamamento, e a arquitetura de planta com folhas eretas. Isso significa maior capacidade fotossintética, conferindo maior potencial produtivo.

A nova cultivar se destaca com produtividade média de 8,6 mil quilos por hectare (peso médio de 23 gramas para mil grãos), alto perfilhamento, resistência à mancha-dos-grãos, além de ter ciclo precoce (115 dias no Rio Grande do Sul).

Os pesquisadores contam ainda que a produção desse tipo de grão especial existe apenas em pequena escala no País, principalmente porque existem poucos produtores de sementes certificadas interessados em atender mercados específicos. “Em geral, quem produz também cultiva a própria semente para se autoabastecer. É um mercado pequeno ainda, mas que tem crescido muito”, destaca.

De acordo com dados do último Censo nacional, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população asiática – os autodeclarados amarelos – girava em torno de mais de dois milhões de pessoas em 2010. “Mas o consumo de comida oriental não está restrito apenas aos descendentes”, argumenta Magalhães.

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão José Colombari Filho, atual coordenador desse programa de melhoramento de arroz especial, também chamou atenção para o fato de que essa nova cultivar poderá trazer diferentes oportunidades de negócios, com outras formas de consumo, como arroz-cateto para o típico prato carreteiro ou na forma integral em pratos da alta gastronomia e, portanto, com maior valor agregado. “Uma indústria de alimentos já demonstrou interesse e está testando o produto para alimentos infantis orgânicos, como papinhas para bebês”, revela Colombari.

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