Hoje, 22 de junho, é comemorado o dia Mundial das Florestas Tropicais. O Greenpearce Brasil está aproveitando as comemorações para lembrar a urgência de zerar o desmatamento e a degradação global até 2030 como uma das principais formas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC.
Outros objetivos são proteger e restaurar as florestas tropicais — incluindo a imensa diversidade de espécies e o carbono que elas armazenam — dessa forma as populações mundiais poderão enfrentar as crises da biodiversidade e do clima, além de garantir um planeta habitável para as futuras gerações.
O Greenpeace Brasil defende que a chave para proteger as florestas está nas mãos dos povos indígenas e comunidades locais, que têm sido os mais eficazes protetores de ecossistemas, freando o desmatamento e recuperando áreas degradadas.
Com os alertas de desmatamento na Amazônia brasileira em queda – entre janeiro e maio foram registrados 997,3 km² de alertas, o segundo menor acumulado para o período desde 2016 e 39% abaixo de 2025 –, o Brasil vem assumindo protagonismo no debate internacional sobre florestas. Em sintonia com esse avanço, o país tem liderado a elaboração do Mapa do Caminho das Florestas, lançado de forma autônoma na COP30. Por meio do fomento de debates e escuta a diversos atores, o Mapa visa à elaboração de um documento que mapeia as principais causas, desafios e soluções para implementar a meta de reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Agora, no entanto, será preciso ir além.
A redução das taxas mensais de desmatamento na Amazônia ao longo de 2026 é um sinal positivo, embora deva ser analisada com cautela por se tratar de um ano marcado pelo El Niño, cujos efeitos influenciam a dinâmica ambiental. Ainda assim, o cenário reforça a urgência de transformar compromissos em ações concretas para alcançar a meta global de zerar o desmatamento até 2030. Para isso, é fundamental que o roadmap proposto pela presidência brasileira da COP30 estabeleça um caminho claro para zerar e reverter o desmatamento, ao mesmo tempo em que valorize a preservação das florestas e garanta acesso direto a financiamento para povos indígenas e comunidades locais.
“Agora é o momento de mobilizar outros países dispostos a liderar essa agenda para que ela não se encerre com o fim da presidência brasileira da COP30 e para garantir que o roadmap não seja apenas um documento bem escrito, mas um instrumento capaz de orientar e acelerar a implementação de ações concretas”, comenta a especialista em política internacional do Greenpeace Brasil, Camila Jardim.
Em nível global, o Greenpeace ressalta que é preciso garantir que as cadeias globais e o comércio internacional não incentivem a destruição das florestas e que as discussões sobre clima, biodiversidade e desertificação não estejam isoladas. O quebra-cabeça das florestas tem múltiplas peças e será preciso organizá-las de forma coerente e articulada para garantir sua devida proteção. No ano em que temos COPs das 3 convenções do Rio (de clima, biodiversidade e desertificação), seguir dando luz a esse tópico e mantendo a urgência do prazo de 2030 para engajar todos os atores é fundamental.
Em novembro de 2025, durante a COP30, o Greenpeace Brasil publicou seu posicionamento técnico sobre o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), em que classifica o mecanismo como um passo importante para acabar com o desmatamento ao criar incentivos econômicos para a preservação das florestas tropicais. A organização destacou como avanço a destinação de pelo menos 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais, mas defendeu o aprimoramento dos critérios de proteção florestal, monitoramento e financiamento, além da exclusão de investimentos em atividades como combustíveis fósseis, mineração e agropecuária industrial.


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