Curso vai ensinar agricultores a recuperar açaizais em processo de degradação
O curso começou ontem e vai até amanhã, sexta-feira, na comunidade tradicional do Maracanã, em Juçara, em São Luiz do Maranhão. A comunidade é conhecida por sua forte ligação com a produção do açaí nativo da região. O objetivo do curso é a recuperação dos açaizais em processo de degradação intitulado de “Curso de Manejo de Mínimo Impacto de Açaizal Nativo” .
O evento é coordenado pelo pesquisador José Mário Frazão, da Embrapa Maranhão, e está sendo ministrado pelos pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, José Antônio Leite, João Tomé e Michell Xavier Costa. A capacitação contará com uma parte teórica e outra prática, em que os participantes vão montar uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) em uma área de juçara (açaí) em processo de degradação no Povoado de Maracanã.
A iniciativa tem como objetivo principal a formação de multiplicadores sobre a tecnologia desenvolvida pela Embrapa e fortalecer práticas sustentáveis, preservar a biodiversidade e garantir a continuidade da produção da juçara (açaí), elemento central da economia e da cultura local. A capacitação reunirá produtores da região e técnicos que atuam diretamente com o manejo da juçara (açaí), promovendo o intercâmbio de conhecimentos tradicionais e científicos.
Com o passar do tempo, os juçarais (açaizais) nativos vêm enfrentando um processo de degradação, causado principalmente pelo superpovoamento de plantas por hectare. Esse excesso leva à competição entre as plantas, o que reduz a produtividade por área. Em muitos casos, essa baixa produtividade faz com que os agricultores substituam os juçarais (açaizais) por outras culturas, levando à perda de biodiversidade e à degradação do solo.
O manejo de açaizais nativos objetiva equilibrar a população de açaizeiros que ocorrem naturalmente na floresta de várzea garantido mais alimento e renda às famílias ribeirinhas. Com essa técnica que não exige investimento em infraestrutura, a produtividade do açaizeiro pode dobrar. Ela baseia-se na eliminação das plantas de espécies arbustivas e arbóreas de baixo valor comercial, cujos espaços livres são ocupados por plantas de açaizeiros oriundas de sementes que germinam espontaneamente, de mudas preparadas ou transplantadas das proximidades e por outras espécies de valor econômico, como fruteiras e florestais. O segredo está na relação e no equilíbrio entre as plantas de açaí e outras espécies na mesma área.
