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O produtor já não precisa esperar tanto tempo para conseguir frutos do pinhão

🕔27.abr 2025

Já é possível plantar uma araucária precoce. O sabor e o valor nutricional do pinhão precoce são iguais aos do tradicional. Essa é a principal conclusão de um estudo conduzido pela Embrapa Florestas (PR), que avaliou a composição do pinhão produzido por araucárias (Araucaria angustifolia) clonadas por enxertia, técnica cuja aplicação para produção precoce nessa espécie acaba de completar dez anos. A constatação reforça a viabilidade da tecnologia que permite colher as sementes da árvore símbolo do Sul do Brasil em metade do tempo do que o convencional e sem abrir mão da qualidade.

A técnica de clonagem via enxertia permite que árvores iniciem a produção de pinhões entre seis a dez anos após o plantio, um avanço significativo frente aos 12 a 20 anos das árvores tradicionais. Fruto de anos de pesquisa participativa conduzida em parceria pela Embrapa Florestas e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), as instituições acabam de publicar melhorias e novas orientações para quem deseja adotar o sistema de produção. Da  mesma forma, o grupo acaba de lançar uma publicação que apresenta a avaliação do valor nutricional dos pinhões produzidos de forma precoce.

“A consolidação desse sistema representa um marco para produtores rurais, especialmente das Regiões Sul e Sudeste do País, onde o pinhão tem forte apelo cultural e econômico, mas cuja produção ainda depende quase exclusivamente do extrativismo em florestas nativas”, conta o pesquisador da Embrapa Florestas Ivar Wendling. Com a produção precoce, o retorno do investimento se torna mais rápido, incentivando o plantio, a geração de renda e, consequentemente, a conservação da espécie pelo uso sustentável.

“Nesses anos, a partir de muitas visitas a campo, levantamento de dados, observações e conversas com os produtores rurais, percebemos que o maior problema atual não está na produção de mudas enxertadas, mas na necessidade de melhorias na forma de planejamento e implantação de pomares, bem como erros que estavam acontecendo no manejo”, relata Wendling.

Ele diz que, muitas vezes, algumas mudas enxertadas não se desenvolviam adequadamente, o que fez os pesquisadores elaborarem um manual de boas práticas aos interessados. Entre as questões abordadas na publicação estão as vantagens do uso da técnica, dúvidas sobre a produção de pinhão em pomares, e pontos fundamentais ao cultivo como a qualidade de mudas, a escolha da área do pomar, a implantação, o manejo e os principais problemas e ocorrências no campo.

O pesquisador destaca, ainda, que o processo requer conhecimento técnico para a escolha das matrizes (árvores-mãe) e para a realização da enxertia, garantindo o sucesso do pegamento e a qualidade futura dos pinhões. “A seleção de matrizes diversas também é crucial para a manutenção da variabilidade genética da espécie”, alerta.

 

 

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