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Um biofertilizante próprio para reduzir a queima das folhas e frutos

Um biofertilizante próprio para reduzir a queima das folhas e frutos

🕔26.fev 2025

Chega em breve ao mercado, um novo produto para proteger as plantas contra a queima das folhas e frutos. O produto foi desenvolvido pela Embrapa, em parceria com a indústria de biofertilizantes Litho Plant. É um protetor solar para plantas que diminui a queima de folhas e frutos, aumenta a resiliência e a adaptação das culturas às mudanças climáticas. Já testado em culturas como abacaxi, banana, citros, mamão, manga e maracujá, o produto demonstrou alta eficiência na redução de danos físicos e no aumento da produtividade.

Prestes a ser lançado comercialmente, o Sombryt BR é classificado como fertilizante mineral simples à base de carbonato de cálcio. Foi projetado para ser aplicado diretamente nas folhas e frutos, adaptando-se tanto aos sistemas de cultivo orgânico quanto aos convencionais. Em testes realizados em todo o País, o protetor reduziu até 20% os danos físicos aos frutos. No caso dos citros, por exemplo, registrou-se também aumento médio de 12% da produtividade de laranjeiras Pera, sob diferentes condições de irrigação. Esse resultado foi publicado em artigo na Revista Brasileira de Fruticultura.

“O produto melhora o balanço energético da planta, tornando-a mais eficiente no uso de água e na realização de trocas gasosas, o que resulta em maior resiliência e produtividade”, explica Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e coordenador dos experimentos.  Engenheiro-agrônomo da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Santos diz que a expectativa é utilizar o produto com os citricultores da região dos Tabuleiros Costeiros. “Observamos o aumento da massa dos frutos na condição de sequeiro, o que é muito bom para os citricultores daqui, pois na nossa realidade a predominância é plantio sem irrigação mesmo”, completa.

Coelho destaca que a aplicação do protetor tem dois focos. O primeiro é o aumento da resiliência da planta. “Melhorando o balanço energético, mitigamos os efeitos deletérios dos estresses abióticos [influências derivadas de aspectos físicos, químicos ou físico-químicos do meio ambiente] nos processos bioquímicos. O objetivo é melhorar as trocas gasosas, a eficiência do uso de água e reduzir os danos fisiológicos, com maior eficiência fotossintética. A planta se torna mais resiliente e, por consequência, mais produtiva.”

O outro foco é a prevenção do dano físico nas folhas e nos frutos, causado pela alta irradiância em regiões de temperaturas elevadas. Quando há a queima, o fruto perde valor comercial e os ganhos do produtor são menores. Um problema para culturas como manga e abacaxi, em que a perda é grande em termos de produção final por conta desses danos na casca dos frutos.

“O produtor pode ganhar das duas maneiras, tanto na resiliência como mitigando a queima de frutos. Mas, se o objetivo principal é reduzir a queima, o produtor pode tomar, por exemplo, a decisão de, em vez de pulverizar toda a planta, focar a pulverização nos frutos mais expostos à irradiância no período da tarde”, pontua o pesquisador.

Os estudos se iniciaram em 2021, “Fizemos testes com várias culturas. Está comprovado que o produto funciona, e os processos vão evoluindo. O próprio produtor vai desenvolvendo estratégias e adotando práticas melhores”, pontua Coelho.

No caso dos citros, além do de Rio Real, há experimento em Bom Jesus da Lapa (BA), em condições semiáridas, com a lima ácida Tahiti, na área experimental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano), e com laranja, na área comercial de produtor parceiro, na qual os ganhos com resiliência foram verificados em dois anos de avaliação. Foram instalados ainda ensaios iniciais em área comercial de parceiro em Monte Azul Paulista (SP).

Quanto ao abacaxi, experimentos foram desenvolvidos no município baiano de Itaberaba ao longo de três anos. O foco inicial é nessa região semiárida por sofrer mais com a questão da queima de frutos. Há testes menores com produtores orgânicos na Chapada Diamantina (BA) e em Itapororoca (PB). Alguns experimentos para avaliar o desenvolvimento dos frutos foram instalados também na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), e no município de Jaíba (MG).

“Os danos físicos diretos nos frutos foram mitigados em torno de 20%, quando trabalhamos com a proteção solar em Itaberaba. Isso é importante principalmente para a agricultura orgânica, porque os abacaxicultores costumam usar jornal para proteger o fruto, o que não é permitido no cultivo orgânico. Então o protetor solar é uma excelente alternativa”, acrescenta.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE