Um desafio para os produtores de frutas: evitar o desperdício depois da colheita
O Brasil é o maior exportador global de suco de laranja e destaque na produção de frutas como manga, melão e mamão. Diante da dimensão dessa produção, vem enfrentando um sério problema: as perdas pós-colheita. Devido a transporte inadequado, falta de refrigeração e tratamentos ineficazes, toneladas de frutas são descartadas anualmente.
Entre as doenças que podem afetar as frutas na pós-colheita estão as manchas necróticas e podridões causadas pelo fungo Neofusicoccum parvum; perdas significativas devido ao Fusarium pallidoroseum ocorrem em melão, durante o transporte e o armazenamento; e nos citros o mofo verde e outras infecções comprometem a cadeia produtiva. Essas doenças reduzem a qualidade e a quantidade de frutas disponíveis, impactando diretamente a economia nacional e a competitividade das exportações brasileiras.
Para os pesquisadores da Embrapa o tratamento hidrotérmico é uma solução sustentável para o controle de doenças pós-colheita. Essa técnica utiliza aspersão de água quente sobre escovas rolantes para desinfestar as frutas e ativar seus mecanismos naturais de defesa.
Com o aumento das restrições ao Limite Máximo de Resíduos (LMR) de agrotóxicos em mercados internacionais, como União Europeia e Estados Unidos, o setor frutícola brasileiro busca alternativas menos químicas e mais sustentáveis.
Além disso, os microrganismos que atacam frutas muitas vezes produzem micotoxinas, substâncias que tornam os alimentos impróprios para consumo humano. Frutas como mamão e melão, por serem mais suculentas, são especialmente vulneráveis a esses agentes.
Entre os desafios da aplicação da tecnologia hidrotérmica, que precisam ser superados, estão a adaptação da tecnologia para diferentes tipos de frutas e a integração com métodos biológicos de controle. Para isso a Embrapa procura um parceiro privado para finalizar o produto e levá-lo ao mercado. As empresas interessadas podem entrar em contato pelo e-mail: cnpma.spat@embrapa.br
Os pesquisadores acreditam que, com o uso de tecnologias similares a essa, o Brasil possa reduzir significativamente as perdas pós-colheita, fortalecer sua competitividade internacional e adotar práticas agrícolas mais alinhadas às demandas globais por sustentabilidade.
