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Orientações de como preparar uma mesa flutuante para criação de ostras

🕔29.jan 2025

No Brasil, a malacocultura teve início na década de 1970, mas ainda apresenta características artesanais, mesmo com os seus avanços nas últimas décadas e com a existência de empreendimentos em quase todos os estados costeiros. Exceção a esse cenário é Santa Catarina, que concentra cerca de 97% da produção nacional de moluscos cultivados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também de 2022.

As novas mesas flutuantes para cultivo de ostras podem ser confeccionadas com tubos de aço galvanizado (25 mm), tubos de CPVC (54 mm) ou de PVC soldável (50 mm). As instruções e as vantagens e desvantagens de cada tipo de material são apresentadas nesta publicação técnica, de autoria de Jefferson e Angela Legat, entre outros. O acesso a ela é gratuito.

As estruturas tubulares, uma vez cortadas e montadas conforme as instruções da circular técnica, servirão de base para acomodar e sustentar os ‘travesseiros’, estruturas retangulares com telas específicas que acomodam as conchas. O sistema é preso ao solo submerso da área de maré com uso de poitas (pesos de fundo) e cordas de fixação. A flutuação de toda a estrutura é garantida pelo uso de bombonas (boias) de 30 litros de volume.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicados em 2022 e reproduzidos na publicação técnica de autoria dos pesquisadores da Embrapa, os moluscos ocuparam a segunda posição na produção mundial de animais aquáticos cultivados em 2020, representando 20% da aquicultura e 53% da maricultura.

Angela legat aponta que o desenvolvimento da malacocultura catarinense está associado ao maior nível de organização da cadeia produtiva, à maior concentração de profissionais e instituições de pesquisa e ao maior investimento na estruturação de instituições públicas e privadas do estado. “Além disso, desde a década de 1990, Santa Catarina investe em pesquisas para desenvolver técnicas e tecnologias, adequando os sistemas de produção de moluscos às condições locais.”

Ainda de acordo com a publicação técnica, muitos estados brasileiros continuam adotando práticas implementadas na década de 1970 e desenvolvidas para países de clima temperado, com pouca ou nenhuma adaptação às condições ambientais e climáticas das áreas de cultivo situadas em águas costeiras tropicais.

A maioria dos sistemas convencionais adotados no Norte e Nordeste Brasil – cultivo de fundo confinado; sistema fixo suspenso próximo ao fundo do tipo mesa ou rack; e o sistema fixo suspenso próximo ao fundo do tipo varal – não permite a realocação das estruturas e a possibilidade de flutuação conforme o nível da água. Isso obriga o criador a ajustar sua rotina de trabalho aos horários das marés e a ficar exposto ao sol durante o manejo.

Outra desvantagem é que, sem flutuação, alguns desses sistemas acabam alojando as ostras cultivadas, dependendo do nível da maré em cada horário, em diferentes patamares da lâmina d’água, ou mesmo fora dela. Esses patamares nem sempre são ideais no que se refere às condições ambientais para o melhor desenvolvimento dos animais, como temperatura, salinidade e concentração de alimento.

 

 

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