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A Caatinga nordestina é um bioma eficiente para retirar a poluição de carbono na atmosfera

🕔12.jan 2025

Em comparação com outros 30 locais secos ao redor do mundo, a Caatinga demonstra elevada eficiência no uso de carbono, superando até mesmo as florestas da Amazônia. Esse foi o resultado de uma pesquisa inédita que investiga os fluxos de carbono no bioma, considerando diversas condições de clima, solo e vegetação. O objetivo é quantificar e avaliar a evolução sazonal e anual das trocas de carbono na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. Os estudos realizados ao longo de quase dez anos revelaram que a Caatinga conseguiu retirar da atmosfera uma média de 527 gramas de carbono por metro quadrado ou 5,2 toneladas por hectare.

O trabalho, liderado pelo Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga (OndaCBC), envolve uma rede multidisciplinar de pesquisadores de diversas instituições, como a Embrapa Semiárido (PE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Instituto Nacional do Semiárido (INSA).

O professor Bergson Bezerra, da UFRN, líder da rede de torres de fluxos do OndaCBC, explica que, ao ser comparada com as florestas secas ao redor do mundo, de todos os pontos que foram analisados, o valor máximo obtido foi 548 gramas de carbono por metro quadrado, registrado em uma floresta no Peru. “Os demais valores são inferiores a esse; inclusive houve áreas que se comportaram como fonte de CO2. Portanto, a Caatinga está seguramente entre os maiores sumidouros entre as florestas secas do mundo”, completa.

As florestas tropicais sazonalmente secas, como a Caatinga, desempenham um papel crucial como sumidouros de carbono, ou seja, depósitos naturais que absorvem e capturam o CO₂ da atmosfera, reduzindo sua presença no ar, com implicações para o clima local, regional e global. Esses processos são influenciados pela distribuição espaço-temporal e pelos volumes de chuva, que afetam diretamente a cobertura vegetal.

Bezerra acrescenta que, na Caatinga, a temperatura, a radiação e a umidade permanecem praticamente constantes ao longo do tempo, com pequenas variações que não afetam muito as trocas de CO2. No entanto, foi constatado que, nesse bioma, as chuvas, mesmo que em pequenas quantidades, são o fator mais importante para as trocas de carbono. “Isso porque as chuvas estimulam o crescimento vegetal, aumentando, assim, a capacidade do bioma de absorver CO2 da atmosfera, agindo como um sumidouro altamente eficaz desse gás”, completa.

 

 

 

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