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Boas perspectivas para o ciclo pecuário brasileiro

🕔27.dez 2024

Os ótimos índices da carne bovina em produção, com vendas internas e exportações reflete o bom momento do ciclo pecuário brasileiro. O certo é que as exportações vão quebrar novo recorde em 2024, com mais de três milhões de toneladas. E o número será ainda maior em 2025. A produção segue aumentando como nunca. Cravando mais de 11 milhões de toneladas.  O preço do bezerro reagiu e o do boi gordo mais ainda, com a arroba tendo chegado a R$ 324, movimento que chegou a 51% de elevação na região de Cuiabá (MT), a que mais valorizou. E o consumidor brasileiro no supermercado e açougue vem comandando as compras da oferta interna do setor mês após mês.

“Estamos com uma capacidade de consumo como não víamos há muito tempo. Que vem se refletindo no aumento das compras de carne bovina. Alimentado pelo aumento da renda dos brasileiros, do PIB (Produto Interno Bruto) per capita e da queda da taxa de desemprego. Um panorama semelhante a 2012. Mesmo com os cortes bovinos aumentando de preço. Duelando com o avanço da carne suína e a estabilidade da carne de frango. Até o ovo acabou ficando para trás. Olhamos demais para o boi e  os preços, e bem menos para o consumidor. O preço da carne subiu em dólar e pela primeira vez o preço do boi é direcionado pela demanda. Interna e externa”, analisou Lygia Pimentel, pecuarista, analista e sócia fundadora da Agrifatto, que abriu a reunião de novembro passado da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais, a ASBRAM, em São Paulo.

Lygia fez questão de ressaltar como o bom resultado do nosso varejo da carne pode embaralhar um pouco a visão mais clara sobre o exato instante e as condições da virada do ciclo pecuário. “O ciclo é uma retroalimentação produtiva estimulada pelos preços. Se bezerro e boi gordo sobem, há retenção de fêmeas. Aí, vem aumento da produção de bezerros, o preço começa a cair e cresce o abate de fêmeas. Se o preço caiu e não há oferta de fêmeas,  os preços  do boi caem, assim como a produção de bezerros, que depois volta a subir. O único fator que é preponderante é a duração do ciclo. Por isso, os pecuaristas devem sempre olhar para a frente e não para trás. Os ciclos vão permanecer. E permear tendências de longo prazo. Quem fica na cadeia produtiva vai ter que produzir mais na mesma área. Quem não consegue lidar com o ciclo e aumentar a produtividade vai ser eliminado nas fases de baixa. Essa é a questão”, decretou.

E entender a nova realidade do ciclo pecuário é realmente necessário para a fazenda brasileira. Como referendou Felipe Fabbri, zootecnista da Scot consultoria e segundo convidado da reunião da Associação. “O momento é realmente especial. Demanda aquecida, recorde nos abates, melhor preço no mercado internacional. Estamos atrativos no Brasil e no exterior, boi valorizado. O confinamento ganhou força em 2024 pelo preço do boi magro e o custo mais baixo dos insumos. E nos perguntamos: entramos em fase de alta ou não? Penso que ainda é cedo. São vários sinais, mas não podemos cravar que é a virada efetiva da fase”, reconheceu.

Felipe acrescentou que os chineses, principais compradores da nossa proteína vermelha, estão gostando de comer a carne bovina e não mais apenas substituindo por problemas ocasionais no fornecimento interno e externo de frango e suínos. “As vendas externas se elevam também por participação de mercado e novos compradores. E no front interno, houve ganho real de competitividade no atacado diante das carnes de frango e suína, e o mercado interno respondeu”, concordou.

Os dois especialistas concordaram que 2025 será recompensador para o segmento. Como nunca. Mesmo sem sabermos exatamente como está se dando a aguardada virada do ciclo. “O boi gordo pode chegar a mais de R$ 400 na virada 2025 – 2026. Mesmo com abates ainda acelerando, incluindo oferta de fêmeas no início de 2025. Não vamos esquecer que o boi subiu em 2024 motivado mais por queimadas, falta de pastagens e dificuldade de entregar bezerros mais pesados. E os três primeiros meses de 2025 podem ser o melhor período da história.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE