Hoje é o Dia Nacional da Mata Atlântica
O Dia Nacional da Mata Atlântica foi instituída em 1999, através de decreto presidencial, para chamar a atenção para a importância de ações de conservação do bioma, essencial para a manutenção e equilíbrio da vida de uma extensa variedade de espécies da flora e da fauna, assim como do clima e do ciclo da água. Atualmente, mais de 70% da população do Brasil vive na Mata Atlântica e também depende dela para sobreviver.
O bioma está presente em 17 estados do país, no entanto, de acordo com informações do MapBiomas, uma iniciativa multi-institucional que envolve Ongs, universidades e empresas de tecnologia interessadas em contribuir com o mapeamento anual da cobertura e uso da terra no país, restam no Brasil 12,4% da Mata Atlântica original.
O relatório de 2022 do MapBiomas também mostra que, se consideradas as áreas de regeneração de florestas jovens e as matas degradadas, a cobertura florestal fica em 24%. Ainda assim o índice segue abaixo de 30%, que é o limite de sustentabilidade considerado seguro para a garantia da sobrevivência da fauna e flora que compõem o bioma.
O botânico Luís Adriano Funez, que atua no Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí, acrescenta que se forem consideradas grandes extensões de Mata Atlântica, a partir de 30 hectares, estimativas já apontam que o bioma original esteja reduzido entre 3,5% e 5% do que foi no passado.
“Hoje as áreas mais extensas do país estão concentradas, principalmente, na região da Serra do Mar, situada nos territórios do Paraná e de São Paulo. Em Santa Catarina, as principais áreas seriam o Parque Nacional da Serra do Itajaí, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e o Parque Nacional de São Joaquim que, embora não tenha um extenso território, possui uma biodiversidade muito rica, com mais de 100 espécies de plantas que só existem naquela região. Todas elas são áreas muito importantes e que precisam ser protegidas”, afirma Funez.
Para a professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos dos Ecossistemas Costeiros na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Débora Ortiz Lugli Bernardes, o Brasil vive um processo de perda de Mata Atlântica acelerado. “Estamos perdendo muitas espécies, antes mesmo de ter a chance de identificá-las e estudá-las”, conta.
O Dia Nacional da Mata Atlântica faz alusão a data em que o Padre Anchieta descreveu, na Carta de São Vicente, sobre as florestas tropicais brasileiras e sua diversidade de espécies. O documento, escrito em 27 de maio de 1560, é considerado o primeiro relato histórico sobre o bioma.

