A produtividade da cana de açúcar aumenta com adoção do sistema de canavial sustentável
A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), já realizou o primeiro levantamento sobre a cana-de-açúcar para a safra 2022/23, no Brasil a perspectiva para o rendimento médio dos canaviais está em 72,6 toneladas por hectare. Já no Estado de São Paulo, esse número é um pouco maior, 73,6 toneladas por hectare. Mas uma fazenda no interior de São Paulo se destaca pelo diferencial de produtividade na cana-de-açucar. É a Fazenda São José, localizada no município de Jaboticabal, que vem batendo recordes de produtividade adotando um sistema de canavial sustentável.
“Com este manejo sustentável estamos , em média, 96 toneladas por hectare, e este resultado inclui canaviais que vão do primeiro ao nono corte”, comemora Eduardo Garcia, engenheiro agrônomo e responsável por toda a operação da fazenda atualmente. Para chegar a esta produtividade foi preciso uma transição, iniciada há mais de 20 anos, que rompeu com a forma de cultivo tradicional da propriedade de 300 hectares. A mesma área, antes da cana-de-açúcar, já foi usada para plantar café, algodão e laranja.
“Devido ao Proálcool, na década de 1970, nós mudamos totalmente e passamos a produzir cana-de-açúcar, mas, apesar disso, ainda fazíamos um manejo tradicional”, acrescenta. Eduardo lembra que foi preciso convencer o pai e o avô de que a mudança traria resultados positivos para o solo e para a cultura produzida. Contudo, após muita insistência, conseguiu um voto de confiança das gerações anteriores.
Para o início do trabalho, os proprietários reservaram um talhão, de sete hectares, para que os testes pudessem ser realizados. O período de experimento durou cerca de dois anos e contou com bons resultados. “Fiz a lição de casa e deu tudo certo”, relembra Eduardo. Os números positivos animaram o proprietário, que resolveu expandir o manejo sustentável para uma área maior, de 54 hectares, dentro da Fazenda São José. Mas para que os resultados continuassem favoráveis, o agrônomo percebeu que era preciso uma análise criteriosa do histórico do solo.
“Foi aí que descobrimos que o tratamento que era feito anteriormente havia deixado uma reserva no solo. Ou seja, as plantas daquela área não estavam preparadas para esse manejo sustentável. Então, demos um passo atrás, com toda essa fase de estudos e entendimento do solo, controle de pragas, doenças, entre outras coisas, e posteriormente voltamos a evoluir”.
Para migrar do cultivo tradicional para o sustentável foi necessário um processo gradual e cuidadoso. Eduardo afirma que deixar de usar herbicidas e fertilizantes compostos com produtos químicos, como o cloreto de potássio, fez parte do processo, e que foi preciso ir além, ter uma ideologia, seguir uma metodologia que garanta qualidade e produtividade.
“Nós iniciamos com a diminuição dos produtos, como herbicida, por exemplo, e outros produtos químicos. Hoje, nós não utilizamos nenhum produto sintético ou que tenha em seu processo de produção uma base química”, revela.
Apesar da dificuldade com o clima nos últimos dois anos, período em que faltou chuva, entre outros problemas, a produtividade atingida por hectare é positiva. O agrônomo reforça que a cana produzida ali tem como destino empresas que estão posicionadas no setor de alimentos orgânicos. “São companhias que já atuam nesse mercado há algum tempo e que produzem açúcar, álcool, entre outras coisas”.

