Recuperação de solos arenosos e sem fertilidade pode ser feita com uso de técnicas conservacionistas
Geralmente os solos arenosos apresentam baixa fertilidade e elevada acidez, o que dificulta a agricultura. Submetido a práticas inadequadas de manejo, como o uso do fogo no preparo das áreas para os plantios, esse recurso natural degrada rapidamente. Uma experiência nova, desenvolvida pelos técnicos da Embrapa obteve resultados positivos e melhorou a vida dos agricultura familiares no município de Juruá, no Acre.
O trabalho apostou no manejo conservacionista para recuperar a fertilidade de solos arenosos improdutivos e tornar as lavouras mais rentáveis. De acordo com resultados de pesquisa, a produção de mandioca mais do que dobrou e a de feijão-de-corda (feijão-caupi) e o milho superaram em cinco vezes a produtividade de cultivos tradicionais. Além de aumentar a produtividade, as práticas agrícolas sustentáveis recomendadas pela Embrapa reduziram o custo de produção e trouxeram sustentabilidade ambiental para a atividade.
Os especialistas testaram diferentes técnicas de manejo conservacionista, como plantio direto na palha, uso de plantas de cobertura e rotação de culturas, para validar e recomendar um sistema adequado aos solos arenosos do Juruá. O modelo avaliado possibilita uma agricultura sem fogo, revolvimento mínimo da terra, solo sempre protegido, redução no uso de insumos e diversidade de cultivos.
Segundo o pesquisador da Embrapa Acre Falberni Costa, responsável pelos estudos, com base nesses critérios foram avaliados esquemas distintos de adubação controlada e correção da acidez do solo, associados ao plantio direto e ao cultivo de gramíneas e leguminosas, em sistema de rotação com culturas agrícolas. Tanto a qualidade do solo como a produtividade das lavouras apresentaram melhoria desde as primeiras avaliações.
“Além de devolver a capacidade produtiva do solo e elevar o desempenho das culturas, o manejo conservacionista possibilita manter a fertilidade das áreas recuperadas e permite o uso contínuo da terra, com cultivos sucessivos, maior oportunidade de geração de renda na propriedade, menor custo de produção e benefícios para o meio ambiente. Esses aspectos confirmam o sistema como alternativa para uma agricultura familiar mais produtiva e sustentável”, ressalta Costa.

