Nordeste Rural | Homepage


Quatro estados do nordeste estão sofrendo com o agravamento do período de seca

🕔19.dez 2021

Os dados são do Monitor de Secas que registra intensificação do fenômeno na Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Seca tem abrandamento na Bahia e fica estável em Alagoas, Ceará, Maranhão e Piauí. Áreas com seca avançaram em Alagoas e recuaram no Piauí. Nos outros sete estados da região, as áreas com seca permaneceram estáveis em relação a setembro.

Devido às chuvas abaixo da média em outubro no Nordeste, a seca grave avançou no norte do Rio Grande do Norte. No sentido oposto, em função das chuvas acima da normalidade, a seca moderada recuou no leste da Bahia e a seca fraca recuou no norte do Piauí.

Na comparação entre setembro e outubro, Alagoas teve a permanência da severidade do fenômeno. Em termos de área com seca, o estado teve o aumento de 64% para 72% de seu território no período – maior percentual desde março deste ano (84%). As áreas com seca grave e moderada seguiram respectivamente nos patamares de 17% e 28%. Já a seca fraca avançou de 19% para 27% do território alagoano entre setembro e outubro. A área livre de seca caiu de 36% para 28%, menor patamar desde os 16% registrados em março desde ano.

Em outubro, a severidade do fenômeno teve um abrandamento na Bahia com o recuo da área com seca grave na Bahia, que caiu de 10% a 7% do estado em comparação a setembro. O estado foi o único do Nordeste que registrou uma condição mais branda do fenômeno em comparação a setembro. Desde março deste ano, 100% da Bahia passa por seca. Em outubro o estado teve a 3ª maior área total com seca entre as 21 unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor: 567 mil km². Apenas Mato Grosso e Minas Gerais tiveram uma área maior com a presença do fenômeno.

Segundo o Monitor de Secas, em outubro o Ceará seguiu com o fenômeno em 100% de seu território, o que acontece desde fevereiro deste ano. Em termos de severidade, a situação permanece estável com cerca de 60% do estado com seca moderada e aproximadamente 40% com seca fraca – os dois tipos menos severos da escala do Monitor. Entre julho e outubro, o estado passa pela maior severidade do fenômeno desde janeiro de 2020, quando 28% de seu território registrou seca grave.

Entre setembro e outubro, o Maranhão permaneceu com seca fraca em 30% de seu território, com seca moderada em 36% e livre do fenômeno em 34% de sua área. Com isso, o Maranhão foi o estado nordestino com maior área livre de seca e o segundo do Brasil, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro (46%). Em termos de severidade, o fenômeno permaneceu estável em relação a setembro no Maranhão, que teve a condição de seca menos severa do Nordeste em outubro. Nesse mês somente o estado e o Ceará não tiveram registro de seca grave.

No caso da Paraíba, a área total com seca permaneceu em 100% do estado em outubro – condição registrada desde junho deste ano. Entre setembro e outubro a área com seca grave seguiu no patamar de 27%, enquanto a seca moderada avançou de 35% para 39% do território paraibano, indicando o aumento da severidade do fenômeno. Essa é a condição mais severa do fenômeno no estado desde fevereiro de 2020, quando 46% do estado passaram por seca grave.

Pernambuco, entre setembro e outubro, teve a intensificação da seca com o aumento da área com seca moderada, que avançou de 59% para 69% do estado. A seca grave seguiu no patamar de 7% do território pernambucano, a área com seca fraca foi de 18% e a área livre de seca foi de 6% do estado. Essa é a condição mais severa da seca no estado desde fevereiro de 2020, quando houve seca grave em 36% de Pernambuco.

No Piauí a área livre de seca avançou de 15% para 18% de seu território entre setembro e outubro. Com isso, a área total com seca recuou de 85% para 82% do estado – a menor desde agosto de 2020 (79%). Desse total a seca grave, a seca moderada e a seca fraca estão presentes respectivamente em 21%, 51% e 10% do Piauí, mantendo a severidade verificada em setembro. A condição do fenômeno verificada em outubro foi a segunda mais severa no estado desde fevereiro de 2020, quando 29% do território piauiense passou por seca grave.

Entre setembro e outubro, o Rio Grande do Norte teve uma intensificação da seca com o aumento da área com seca grave, que subiu de 62% para 75% do estado – pior condição dentre os estados nordestinos. Esta é a condição mais severa no território potiguar desde janeiro de 2019, quando 12% do Rio Grande do Norte passou por seca extrema, que é a segunda mais severa na escala do Monitor. Desde dezembro de 2020, é registrada seca em 100% do território potiguar.

Em outubro foi observada a intensificação da seca em Sergipe em comparação a setembro. Nesse período as áreas com seca grave avançaram de 32% para 36% do estado e as porções com seca moderada subiram de 15% para 19% do território sergipano. Os demais 46% do estado registraram seca fraca. Essa é condição mais severa do fenômeno em Sergipe desde maio de 2019, quando 38% do estado passaram por seca grave. Há 13 meses consecutivos, desde outubro de 2020, Sergipe registra seca em 100% do seu território.

Considerando as quatro regiões acompanhadas pelo Monitor de Secas, o Nordeste teve a melhor condição em termos de severidade do fenômeno em setembro, já que foi a única a não ter registro de seca extrema ou excepcional – as duas mais severas identificadas pelo Monitor. Além disso, o Nordeste teve o maior percentual de território livre de seca: 11%. O Sul teve a segunda menor severidade do fenômeno no período, com 3% de seca extrema. As condições mais severas foram registradas no Sudeste e no Centro-Oeste, que tiveram respectivamente 8% e 1% de áreas com seca excepcional – a mais severa.

O Monitor realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados em curto e/ou longo prazo. Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo. Essa ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca e pode ser acessada tanto pelo site monitordesecas.ana.gov.br quanto pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS.

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE