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Sofrimento de aves nas granjas provoca protesto de entidades do setor

🕔24.mar 2021

De acordo com a Fórum Animal, no Brasil, cerca de 150 milhões de galinhas são criadas para a produção de ovos e mais de 90% delas passam a vida confinadas em gaiolas em péssimas condições. Ainda assim, foi submetida à Consulta Pública uma proposta de Instrução Normativa que estabelece requisitos mínimos relativos às dependências e aos equipamentos para a instalação e funcionamento de granjas avícolas, porém que não menciona, em nenhum momento do texto, os animais que são explorados nesses locais. Esse fato revoltou as organizações que protestaram e pediram providências.

As organizações Animal Equality, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Mercy for Animals, Sinergia Animal e World Animal Protection se uniram para escrever uma carta aberta à sociedade brasileira pedindo melhores condições para os animais envolvidos na produção de ovos e derivados. A realidade cruel das granjas faz com que as aves fiquem amontoadas em gaiolas tão pequenas que não conseguem bater asas ou empoleirar-se, comportamento simples desses animais. E como as gaiolas ficam empilhadas, as galinhas são obrigadas a excretar umas nas outras.

Tudo isso contribui para um quadro crônico de estresse e doenças. Nessas condições, muitos animais acabam morrendo, e as aves que conseguem sobreviver são forçadas a continuar entre os restos das que morreram, muitas vezes em decomposição.

É uma realidade cruel, que causa sofrimento aos animais e reflete diretamente no alimento que é comercializado e colocado no prato. Por esse motivo, especialistas já alertaram que as granjas são uma bomba-relógio para próximas pandemias.

As organizações de defesa dos animais lutam para que as empresas que mais vendem e utilizam ovos no Brasil se comprometam com a política livre de gaiolas. “Garantir padrões mínimos de bem-estar animal no setor produtivo tem se tornado uma prioridade em todo o mundo, visto a necessidade da adoção de medidas que priorizem uma vida mais digna aos animais. Políticas, legislações, manejos e metodologias que se comprovam extremamente eficientes têm sido criadas, necessárias e benéficas nos meios produtivos tanto em âmbito nacional quanto internacional”, diz a carta, que pode ser conferida na íntegra no final do texto.

A criação intensiva em gaiolas têm perdido espaço no mercado, principalmente depois que países e empresas multinacionais se posicionaram a favor de um modelo que respeite critérios básicos do bem-estar dos animais e a qualidade do produto.

Países como Nova Zelândia, participantes da União Europeia e vários estados dos EUA já proibiram o método de criação convencional com o uso de gaiolas. A medida também já é uma tendência na América Latina, com um aumento expressivo na demanda por ovos provenientes de sistemas livres de gaiolas.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE