Chegou a hora de reformar as pastagens mas é importante cuidado na escolha das sementes do capim
Este é o melhor momento para que os produtores rurais e criadores de gado se preocupem com a reforma e ou recuperação das pastagens na fazenda. É hora, portanto, de tomar cuidado com o planejamento dessa empreitada. O proprietário deve planejar isso com bastante antecedência, e o ideal é começar pelas sementes forrageiras, que devem ser as vedetes do processo. O cuidado na escolha das sementes forrageiras que serão usadas, fazem toda a diferença, sendo que ela deve ser feita levando-se em conta as características de cada espécie/cultivar e, ainda, de acordo com os fatores limitantes da área de plantio, como, por exemplo, fertilidade do solo, tipo de solo (argiloso, arenoso, etc…) topografia do terreno, grau de drenagem, ataques de insetos, entre outras. As sementes representam apenas cerca de 10% do custo total de reforma de pastagem, a escolha do material de qualidade pode impactar os outros 90% do investimento
Além de priorizar as sementes, existem outros aspectos que o produtor precisa considerar na hora de fazer o planejamento da reforma ou recuperação das pastagens, como fazer a coleta de amostra de solo corretamente para se realizar a correção e fertilização do solo (calagem/adubação). “Para fazer a coleta correta de solo, devemos separar primeiro a área total em glebas ou hectares de acordo com a coloração do solo,e grau de drenagem, declividade, etc…. Após a coleta da amostra, enviar essa amostra para laboratório que seja credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e tenha rotina em fazer esse tipo de análise. Uma vez já com o resultado do laboratório, fazer os cálculos para correção do solo (calagem) e fertilização necessária. (adubação de plantio e cobertura)”, explica o engenheiro agrônomo da Matsuda, Pedro Henrique Lopes Lorençoni.
Segundo o especialista, na sequência temos que realizar o preparo do solo propriamente dito, que pode ser feito de várias maneiras, dentre elas o preparo convencional através da utilização de arado de disco, aiveca, e grade aradora, intermediária e niveladora; o preparo do solo para plantio direto que é feito através da utilização de herbicidas para dessecação das plantas que estão no local, evitando o revolvimento do solo e, outro modelo muito utilizado quando se faz a integração lavoura pecuária (ILP), no qual se faz o plantio em sobressemeadura, quando principalmente a cultura da soja está no estágio R7 (soja, lourando), aplica-se as sementes a lanço sem fazer incorporação. “Para realização de qualquer uma dessas operações é necessário ter equipamentos adequados, assim como qualificação da mão de obra”, alerta o especialista.
Segundo Pedro Henrique, é fundamental a escolha correta das sementes. As possíveis consequências de se escolher as sementes por preço, de empresas que não tenham o devido respeito com seus clientes, começa pela qualidade real de sementes a serem entregues, pois a porcentagem de sementes puras ofertadas no momento da compra, pode ser totalmente diferente da porcentagem de pureza real entregue na propriedade. Outro ponto é que podem estar adquirindo sementes com infestação por outras sementes (contaminantes), em quantidades que excedem o permitido pelo MAPA e assim, transformam-se num veículo de disseminação de ervas daninhas, aumentando, assim, os custos de formação da pastagem.
“Outra situação é que sementes mais baratas tendem a apresentar valor cultural mais baixos, como exemplo, 60% de pureza, e portanto, 40% de material inerte, e é justamente na composição deste material inerte que podemos encontrar outro fator de risco, pois como as sementes, em sua grande maioria, são colhidas do solo (“do chão”), as chances de um lote ‘barato’ sequer sofre beneficiamento são grandes e assim, caso a área de colheita tenha sofrido por ataques de pragas, como percevejo, cigarrinhas, etc. ovos desses insetos podem estar misturados a este material inerte, e assim, sem o devido beneficiamento, podem também estar sendo disseminados, inclusive, para áreas onde a incidência dos mesmos não era comum”, orienta.
Um diferencial para as sementes tratadas ou revestidas é que além de garantirem a qualidade das sementes, também garantem que a quantidade do defensivo agrícola tenha sido aplicado na dose correta e de maneira homogênea bem como que o material usado no recobrimento possua macro e micronutrientes em quantidades suficientes para fornecerem uma boa germinação e um rápido desenvolvimento inicial das plântulas.

