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Pesquisadores testam o óleo de manjericão para controlar lagartas nas lavouras

🕔19.jul 2020

manjericãoO tradicional manjericão-de-folha-larga (Ocimum basilicum L.), conhecido também como basilicão ou alfavaca, pode se tornar a base de um produto natural para o controle de importantes pragas das lavouras. Ao aplicar o óleo essencial dessa planta sobre folhas de feijão, cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) registraram a morte de cerca de metade das lagartas da espécie Helicoverpa armigera e um índice de letalidade de 30% para a Anticarsia gemmatalis. A primeira foi introduzida no Brasil em 2013 e é conhecida pela grande voracidade e a A. gemmatalis é chamada de lagarta-da-soja por ser a principal praga da leguminosa. Ambas atacam diversas culturas e, por isso, são consideradas importantes pragas agrícolas.

O basilicão foi o mais eficaz entre as nove plantas cujos óleos essenciais foram testados no controle das duas lagartas na pesquisa. Uma das motivações para o uso de óleos é sua baixa, ou mesmo nenhuma, toxidez para o ambiente e para as culturas agrícolas. Os cientistas realizaram avaliações biológicas e comportamentais dos insetos e identificaram os principais compostos presentes nos óleos. Parte dos resultados foram publicados em um boletim de pesquisa.

Os pesquisadores consideram esse estudo promissor e completa trabalhos científicos realizados com outros óleos essenciais, como o óleo de Neen (Azadiracta indica), bastante utilizado no controle de pragas. Outro fator importante é a possibilidade de reduzir o uso de defensivos químicos, o que pode ser feito por substituição, ou uso do manejo integrado de pragas (MIP). A redução do uso de inseticidas químicos também auxilia na redução da resistência dos insetos a esses defensivos, um problema que vem crescendo nas lavouras. “Esses óleos também podem se tornar mais uma ferramenta de controle de insetos na agricultura orgânica, na qual esses compostos são permitidos, ampliando o leque de possibilidades do manejo das pragas”, diz a pesquisadora da Embrapa Jeanne Marinho Prado.

Prado explica que a utilização de inseticidas pode promover a resistência de populações de insetos-praga. A falta de novas moléculas inseticidas e a repetida utilização de produtos com modo de ação semelhante em uma mesma safra podem favorecer a resistência da população dos insetos, reduzindo a eficácia das aplicações.

Além disso, há uma crescente preocupação de consumidores e produtores com a saúde dos trabalhadores e com a contaminação de alimentos e do ambiente, destacando de forma geral a demanda por formas mais naturais, para oferecer proteção às plantas contra o ataque de insetos.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE