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O vinho: Descomplicando as regras dos homens
Por Fernando Tony

🕔05.fev 2015

uva brancaOlá, queridos enófilos!

 

Estava eu em minhas andanças quando fui abordado por um ilustre coronel do exercito que não via a algum tempo e que veio trocar informações comigo sobre as regras do mundo do vinho, pois o mesmo acabara de chegar do Uruguai. Senti que havia uma duvida que intrigava o nobre e distinto coronel, pois o mesmo comentara sobre a proposta de entrada, prato principal e sobremesa, se deve-se de fato seguir a risca as regras do vinho e se sim, como faze-lo? Então peço licença para mais uma vez voltar a este assunto, até porque acho pertinente devido ao momento, por estarmos ainda no inicio do ano e principalmente pela estação do calor. As regras a qual o ilustre coronel se ateve foram as básicas mesmo, primeiro do vinho  mais leve para o mais encorpado e do mais jovem para o mais maduro. Está é uma regra clássica, mas como diria o outro, regras foram feitas para serem quebradas.

As regras as quais nos referimos são aquelas que existem em todas as literaturas e repetidas por vários autores; Brancos leves, tipo Sauvignon Blanc com saladas e frutos do mar “in natura” e os brancos mais encorpados como os Chardonnays que vão muito bem com frutos do mar, peixes e crustáceos mergulhados em molhos cremosos. Estas duas uvas brancas são as mais consumidas e fáceis de encontrar e por isso seu consumo é predominante, mas claro que há outras uvas brancas que também merecem e devem ser apreciadas como, por exemplo, as alvarinhos, gewurztraminer, riesling, as torrontés, e as viognier.

Quanto as tintas vamos iniciar pela mais elegante de todas, a soberana da Borgonha, a clássica Pinot Noir que eu adoro com pastas, patês leves, bacalhau salmão e atum, hummmmm…. Nossa, eu recomendo mesmo! Seguindo a evolução vamos para as mais apreciadas entre as mulheres, as Malbecs e as Merlot, uvas de corpo médio porem bastante distintas. Diferente do que recomendam os argentinos não vejo um vinho elaborado com a uva malbec propicio a acompanhar um churrasco, posto que não percebo nos malbec a força necessária para combater a gordura de determinadas carnes, nem seu “ageleiado” harmoniza com o defumado proposto pelo churrasco, por isto prefiro esta uva com pratos de molhos agridoces, como um porco caramelizado que só minha sogra faz, eita saudade! Já para os Merlots o recomendo com massas e risotos, mas respeitando sempre a composição dos pratos e principalmente seus molhos, tenho muito apreço pelos merlots chilenos e os tops do Rio Grande do Sul, como por exemplo o STORIA da casa Valduga, nossa!

Chegamos, então, aos mais consumidos e comentados dos vinhos, os Cabernets e os Carmeneres, estes sim vão bem com uma boa carne assada e não os recomendo para um primeiro encontro romântico, por mais que você goste, até porque o vinho não foi feito só para você e sim para ser degustado a dois. Os vinhos da uva syrah e tannat, eu sou suspeito pra falar, além de gostar muito deles sempre os abro para acompanhar pratos marcantes, com molhos escuros. A syrah, vai bem com um filet ao molho madeira ou uma boa galinha a cabidela (ao molho-pardo para os mais chics), já a tannat, devido a seus nobres taninos, segura o tranco de uma bela feijoada.

Essas são minhas dicas para que se quebrem regras e experimentem o nobre fermentado com comidas do nosso cotidiano, respeitando sempre as quatros estações do ano e o clima do dia. Ao coronel que me fez escrever este texto deixo o seguinte registro, a regra é sempre que a proposta for beber vinho comece do mais leve e mais jovem e feche com vinhos mais encorpados ou mais fortes como os de sobremesa, mas o vinho dos seus encontros tem que harmonizar sempre com o prato principal, ou seja, não adianta carpaccio ou bruschetta com pinot noir e um bom vinho do porto com torta de frutas, se no jantar seu prato e seu vinho estiverem desarmônicos, é como uma boa peça de teatro, a abertura tem que despertar o publico, o durante tem que prender o publico e o final tem que deixar o gostinho de quero mais.

Precisamos experimentar e errar com o vinho para formatar uma memoria, se não nunca sairemos do óbvio e nunca quebraremos as regras. Tim tim e vamos beber mais vinho branco neste verão, ok?

Fernando Tonynovas_cultivares_uva2

 

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