Avestruz: a criação consciente
Estrutiocultura, assim é chamada a criação comercial de avestruzes.
Há estrutiocultores que só terceirizam a incubação de ovos e criam os filhotes para venda, outros trabalham como intermediários, importando e alojando animais em quarentena para terceiros, alguns hospedam aves de terceiros junto às suas próprias aves ou não por um valor mensal, outros investem para aumento de plantéis, produção de engorda para abate, produção de reprodutores e matrizes, produção de plumas, curtumes, transportes especializados, incubação de ovos e uns poucos que investem na exploração integralizada de produtos (carne, couro, plumas, artefatos de decoração e cosméticos).
Seja qual for a modalidade escolhida, o futuro criador tem que estar consciente da necessidade de adotar técnicas específicas nas etapas da criação de avestruzes.
É preciso reservar atenção para os limites produtivos dessa espécie, em que situações multifatoriais podem levar ao insucesso da criação. É necessário contratar profissionais e técnicos especializados na área, fazer treinamentos periódicos de funcionários, ter um bom sistema de biosseguridade, qualidade do plantel, melhoramento genético (PROGESTRUZ – Programa de Melhoramento Genético do Avestruz Brasileiro), sanidade, prevenção e tratamentos específicos frente a doenças, nutrição balanceada, instalações adequadas, equipamentos próprios da criação, manejo, conforto e bem estar das aves.
É preciso ser criterioso, não adianta querer produzir sem embasamento técnico. O tempo investido na coleta de informações será recompensado com a redução das margens de erro e garantia de índices satisfatórios de produtividade.
O Brasil tem potencial para se tornar um dos maiores criadores mundiais, tanto pelo clima, valor de pastagens, vocação avícola e baixo custo de mão-de-obra. Vale lembrar que é uma atividade que requer capital de giro, terras com pastagens e mão-de-obra especializada.
Apesar da Estrutiocultura ser uma atividade relativamente jovem, é fato que houve um crescimento acelerado do plantel, de criadores, formação de associações de criadores, cooperativas e federações. O que mostra que o segmento da criação de avestruzes vem se consolidando de maneira considerável. De acordo com o Anuário da Estrutiocultura Brasileira de 2006/2007 da ACAB, o número de criadores é 3.200, uma população de 426.190 animais, 29 associações estaduais e regionais e 25 cooperativas, distribuídos em todo território nacional. Esse resultado consolida o Brasil entre os cinco maiores produtores mundiais, com segurança e com uma forte tendência de se encontrar em primeiro lugar nos próximos anos, inclusive, se tornar um exportador de subprodutos originários da ave, como couro, plumas, óleo e carne.
*Médica Veterinária – Especializada na área de Estrutiocultura
CRMV/MG nº6566 Técnica credenciada pelo Progestruz/Acab
Mestranda em Nutrição Animal na UFMG/MG
e- mail: adelina@acria.com.br ou adelina2@hotmail.com


