Nordeste Rural | Homepage


Uma semente de algodão resistente a pragas e que melhora os ganhos de produtividade

🕔30.Maio 2021

É a cultivar BRS 500 B2RF que associa resistência múltipla a doenças e apresenta bom desempenho agronômico. É a mais nova cultivar de algodoeiro transgênico desenvolvida pela Embrapa e  alia alta produtividade à resistência às principais doenças, com destaque para a mancha de ramulária e o nematoide-das-galhas, dois sérios problemas enfrentados hoje pelos cotonicultores.

A mancha de ramulária, causada pelo fungo Mycosphaerella areola, atualmente é considerada a principal doença do algodoeiro no País, demandando em torno de oito pulverizações de fungicidas por safra em cultivares mais suscetíveis ao patógeno. Já o nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita) é uma doença de difícil controle. A praga parasita as raízes de diversas culturas e no algodoeiro compromete a produtividade da pluma em até 40%. O melhor método de controle dos nematoides é o uso de culturas e cultivares resistentes ou tolerantes.

Uma alternativa para o manejo desses problemas, a BRS 500 B2RF, é indicada para cultivo na região do Cerrado, onde a ocorrência da mancha de ramulária é prevalente, ou em áreas com incidência de nematoide-das-galhas. Levantamentos recentes realizados nos dois principais estados produtores de algodão detectaram infestação com esse nematoide em 25 % das áreas amostradas no Mato Grosso e em 37 % na Bahia. Os dados são do Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt), Embrapa Algodão, Fundação Bahia, Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

“Em 27 ensaios conduzidos em ambiente do Cerrado nas safras 2017/2018 e 2018/2019 a cultivar BRS 500 B2RF teve severidade mínima de mancha de ramulária, demonstrando estabilidade dessa característica”, conta o pesquisador responsável pela obtenção da cultivar, Nelson Suassuna.

Ele explica que o fato de não demandar aplicações de fungicidas para o controle da mancha de ramulária implica redução dos custos de produção e representa um ganho ambiental. “Não raro, são realizadas oito aplicações de fungicidas por safra para controle da doença em cultivares suscetíveis, com um custo superior a R$ 100,00 por aplicação por hectare. Considerando a área nacional cultivada com algodoeiro, a adoção dessa tecnologia pode trazer ganhos substanciais”, afirma. “A resistência parcial ao nematoide-das-galhas também dá segurança ao produtor em áreas infestadas, evitando perdas associadas a esse patógeno”, acrescenta.

Além da alta resistência à mancha de ramulária e resistência parcial ao nematoide-das-galhas, a cultivar BRS 500 B2RF também é resistente à principal virose da cultura no Brasil, conhecida como doença azul típica, e à mancha angular.

A produtividade média obtida em 27 locais foi de 5.667 quilos por hectare de algodão em caroço e de 2.579 quilos por hectare de fibra. Na última safra, a produtividade média do algodão em caroço no Cerrado foi de 4.287 kg/ha e de 1.802,11 kg/ha de fibra, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A BRS 500 B2RF possui ainda qualidade de fibra desejável para a indústria têxtil, com valores médios de comprimento da fibra de 30,4 mm (fibra média); índice micronaire de 4,6 e resistência da fibra de 30,8 gf.tex-1.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE