Um porta-enxerto híbrido ajuda a proteger o plantio de pimentão contra as pragas
É o BRS Acará, porta-enxerto híbrido que tem como público-alvo produtores de pimentão em cultivo protegido e viveiros de produção de mudas enxertadas de pimentão. Como toda tecnologia desenvolvida, o BRS Acará passou pelo processo de validação de suas características, quando foi comparado com outros porta-enxertos já existentes no mercado. E, segundo a pesquisadora Cláudia Ribeiro, que coordena o programa de melhoramento genético de Capsicum (pimentas e pimentões) o novo material ficou à altura do desafio.
Proteger cultivos de pimentão em solos infestados com bactérias do complexo Ralstonia, causador da murcha-bacteriana, Phytophthora capsici e nematoides-das-galhas. Esse foi o principal objetivo das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) para disponibilizar uma variedade de porta-enxerto com resistência múltipla a doenças e alta compatibilidade com as variedades hoje em uso comercial.
Para melhor entendimento da questão, a pesquisadora explica que além da resistência a múltiplas doenças, o porta-enxerto tem que apresentar boa compatibilidade com o híbrido que, no caso do pimentão, será enxertado. “A planta do híbrido enxertado (cavaleiro) tem que produzir igual ou mais do que a planta do híbrido sem enxerto (conhecido como pé franco) ”, anota Cláudia, para acrescentar: “Em estudos conduzidos na Embrapa foi medida a compatibilidade de BRS Acará com diferentes híbridos comerciais de pimentão – plantas de híbridos comerciais de pimentão enxertadas em BRS Acará chegaram a produzir 35% a mais de frutos do que os seus respectivos pés francos (plantas não enxertadas) ”.
Após oito anos de pesquisas, experimentos, avaliações e validações, o BRS Acará está pronto para ser comercializado – já passou pelas etapas de proteção e registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e aguarda o licenciamento de empresas que irão produzir e comercializar mais esse material desenvolvido pela Embrapa.

