Ressonância nuclear magnética analisa vinho sem abrir a garrafa
Atualmente, os métodos utilizados para avaliar a qualidade do vinho, a origem e até mesmo a safra são baseados, principalmente, em métodos químicos invasivos, ou seja, o produto ou amostra tem que ser retirado da embalagem. No caso da Ressonância Magnética Nuclear, o que interessa é a composição química do vinho, que pode ser determinada pela análise espectroscópica.
Nessa análise, cada substância química como água, etanol e outros componentes minoritários do vinho geram um sinal característico. Métodos como esse têm sido divulgados por meio de artigos científicos ou em patentes. Entretanto, esses métodos necessitam de aparelhos muito caros de alguns milhões de reais, operador altamente especializado, ajustes diários, o que eleva o custo da análise.
Na Embrapa Instrumentação, sob a orientação de Luiz Colnago, a aluna de mestrado do Instituto de Química da USP de São Carlos Esther Machado Scherrer está trabalhando em um método de RMN muito mais simples, rápido, que não precisa de operador altamente especializado, baseado em um aparelho que custa cerca de um décimo dos aparelhos usados nos outros trabalhos e patentes.
A Ressonância Magnética Nuclear (RMN) foi aproveitada pelo pesquisador Luiz Alberto Colnago em 1979, quando cursava doutorado no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Ele desenvolveu um método para monitorar a variação bioquímica que ocorre durante a germinação de sementes.
Os resultados iniciais indicam que o tempo que o sinal leva para desaparecer varia de acordo com a região em que o vinho (uva) foi produzido. A explicação para isso vem da composição dos micronutrientes que a uva retira do solo e estão presentes no vinho. Como esse decaimento depende do tipo e concentração do micronutriente como ferro, manganês, cobre, vanádio, entre outros, tem-se obtido uma boa correlação entre o decaimento do sinal de RMN e a origem do vinho diretamente nas garrafas.
“O que medimos é a relaxação, o desaparecimento do sinal de ressonância após a irradiação da amostra. Já constatamos que nos vinhos brasileiros, por exemplo, o sinal desaparece mais rapidamente do que nos vinhos argentinos. Nossa hipótese é de que a composição de micronutrientes da uva varia de acordo com o solo, clima, ou seja, com o terroir do vinho”, explica Luiz Colnago.
Nessa pesquisa, ficou confirmada a possibilidade de identificação de eventuais falsificações e isso poderá ajudar produtores, importadores, lojistas e, especialmente, os consumidores. “Esse método poderá tornar-se universal, ou seja, a calibração servirá para qualquer lugar do mundo. O produtor poderá colocar o valor de referência no rótulo e, seguindo o protocolo de análise, será possível uma espécie de rastreamento, identificando a safra e a região de origem, dentro da garrafa, e, ainda, se houve adição de água/álcool/corante”, detalha, esperançoso, o pesquisador Luiz Colnago.

