Reduzir o espaço entre as fileiras no plantio de soja pode melhorar o rendimento da lavoura
A soja é a cultura de maior importância econômica no Brasil. A geração de novas tecnologias e a evolução dos conhecimentos relacionados ao sistema de produção estão promovendo mudanças no cultivo da soja. O melhoramento genético embutido na cultivar é responsável por somente 50% do rendimento final na cultura. A outra metade está associada ao manejo da lavoura, desde a implantação até a colheita. A intensificação da produção é possível através de sistemas mais eficientes e equilibrados no uso dos recursos do ambiente, como água, luz, temperatura e nutrientes.
A redução no espaçamento entre as fileiras da soja pode potencializar os rendimentos da lavoura e permitir uma redução significativa nos custos de implantação, pela redução na população de plantas. Um estudo da Embrapa Trigo mostrou ganhos diretos de até 280 kg/ha e redução de 33% na população de plantas no Rio Grande do Sul, pela melhor eficiência no uso da radiação solar na lavoura.
O arranjo espacial determina a competição por luz, água e nutrientes, alterando desde a incidência de pragas até a produção de biomassa. A potencialização do rendimento de grãos pode ser obtida através do melhor acúmulo de área foliar, com maior aproveitamento da radiação solar que garante a fotossíntese necessária para o crescimento das plantas. A melhor distribuição de plantas na área pode considerar duas estratégias de manejo ainda na semeadura: densidade (população de plantas) e espaçamento.
“Vimos que o espaçamento reduzido pode maximizar os rendimentos na soja, já que há um aumento de área foliar mais rápido, acelerando o crescimento da planta e o acúmulo de massa para a produção de grãos”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo Osmar Rodrigues. O pesquisador destaca que, independente da cultivar utilizada, a redução de densidade de sementes é compensada pelo espaçamento reduzido, acelerando a velocidade de fechamento do dossel e o acúmulo de matéria seca nos ramos que definem a produtividade da soja.
Vale lembrar que existe resposta diferenciada em rendimento para espaçamentos e populações de plantas, dependendo da época de semeadura, da arquitetura da planta e do grupo de maturação da cultivar. Populações muito acima da indicada, além de implicar no aumento nos gastos com sementes, podem ocasionar acamamento de plantas; enquanto populações muito abaixo favorecem a incidência de plantas daninhas na lavoura. De acordo com os pesquisadores da Embrapa, a diversidade de cultivares de soja que chegam ao mercado todos os anos dificultam o trabalho da pesquisa, devido à grande variação no ciclo, porte das plantas e adaptações aos tratamentos fitossanitárias. O principal é que as plantas estejam distribuídas uniformemente na lavoura, considerando as condições de ambiente que favorecem ou limitam a expressão do potencial produtivo das cultivares.


