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Novo manejo no plantio de hortaliças pode reduzir até 30% os custos de produção

🕔06.abr 2021

A Produção Integrada de Folhosas, Inflorescências e Condimentares (PIFIC) tem agora um novo protocolo que foi especialmente desenvolvido para 32 espécies de hortaliças e, além dos benefícios econômicos, procura aumentar a sustentabilidade da atividade, a segurança e o bem-estar do trabalhador e a qualidade dos alimentos produzidos. O grupo das folhosas foi recentemente incluído no Sistema de Produção Integrada Agropecuário da Cadeia Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A normatização engloba todas as etapas de produção, estabelecendo práticas e procedimentos a serem seguidos por produtores que queiram aderir ao programa. O cumprimento atestado das práticas concede ao produtor um selo de qualidade que agregará valor aos seus produtos.

“Os benefícios econômicos para o agricultor são percebidos nas etapas de produção, com a redução dos custos obtidos com a aplicação racional de fertilizantes e agrotóxicos; na comercialização, com a oferta de um produto com maior valor agregado, além do acesso a novos nichos de mercado”, declara o coordenador da PIFIC, Jorge Anderson, pesquisador da Embrapa Hortaliças (DF).

O especialista ressalta ainda que o consumidor terá a garantia de um alimento seguro e com alto padrão de qualidade. “A maior parte dessas hortaliças são consumidas cruas ou minimamente processadas e, assim, podem ser fontes potenciais de intoxicação alimentar, caso não sejam cultivadas conforme as especificações recomendadas”, frisa o pesquisador.

A Instrução Normativa nº 1, de 11 de janeiro de 2021, do Ministério da Agricultura, apresenta as normas técnicas para a produção integrada de: acelga, agrião, aipo, alcachofra, alecrim, alface, alho-porró, almeirão, aspargo, brócolis, cebolinha, chicória, coentro, couve, couve chinesa, couve-de-bruxelas, couve-flor, erva-doce, escarola, espinafre, estévia, estragão, hortelã, louro, manjericão, manjerona, mostarda, orégano, repolho, rúcula, salsa e sálvia.

A adesão à produção integrada é voluntária, entretanto o produtor precisa cumprir todas as etapas, inclusive a que permite a rastreabilidade das hortaliças, a fim de obter certificação por meio do selo “Brasil Certificado”, que atesta o uso de boas práticas agrícolas, ambientais e trabalhistas pré-determinadas na condução da cultura. A certificação do produto é concedida por uma empresa credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Para atender a todos os procedimentos estabelecidos pela PI e que extrapolam o manejo agrícola, o produtor pode recorrer à linha de crédito Inovagro, que oferece vantagens exclusivas de financiamento para a adequação das instalações da propriedade. Esse recurso é destinado à incorporação de inovação tecnológica nas propriedades rurais que vise, entre outros, ao aumento da produtividade e à adoção de boas práticas agropecuárias e de gestão da propriedade rural.

A responsável pelo estudo, a pesquisadora da Embrapa Milza Moreira Lana, explica que as hortaliças folhosas são transportadas para o mercado poucas horas após a colheita e isso contribui para que os resultados das más práticas adotadas no campo sejam, muitas vezes, visíveis somente quando os alimentos já estão nas lojas. Como exemplo, ela cita o manuseio descuidado que gera danos físicos, acelerando a transpiração, a degradação de clorofila e o apodrecimento das hortaliças.

A pesquisadora da área de pós-colheita da Embrapa Iriani Maldonade esclarece que quando o agricultor usa água contaminada por microrganismos e parasitos patogênicos, principalmente devido ao esgoto doméstico, ela torna-se um meio de transmissão e disseminação de doenças nos animais e às pessoas. Por sua vez, os animais podem contaminar o solo e a água por meio das fezes, gerando um ciclo vicioso.

Em decorrência disso, as águas dos córregos utilizados na produção de hortaliças podem servir como veículo de contaminantes durante o cultivo, a colheita e a pós-colheita. Em todas essas etapas, entre outros fatores, a infecção do alimento pode advir da qualidade da água usada na irrigação, na lavagem de equipamentos usados na colheita e, principalmente, na higienização das hortaliças.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE