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Mais carbono orgânico no solo da caatinga nas propriedades que usam Sistema Integrado de Produção

🕔14.mar 2024

Os sistemas agroflorestais podem aumentam o estoque de carbono orgânico no solo em até 50% a mais que uma área de vegetação nativa. Já no sistema que usou consórcio de milheto ou sorgo com capim Massai, o teor de nitrogênio no solo foi 60% superior em relação à mata de Caatinga. Os dados são de uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) e Embrapa Meio-Norte (PI).  Dessa forma os sistemas integrados de produção podem sequestrar carbono no solo e recuperar perdas por emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.

Os resultados da pesquisa foram publicados na Revista Brasileira de Ciências do Solo e trazem indicadores de que é possível, em sistemas integrados, adotar um manejo sustentável da Caatinga que concilie a vegetação nativa e a formação de novas áreas de produção agrícola, proporcionando benefícios como aumento da produção de forragem e garantindo a segurança alimentar dos rebanhos. Essa alternativa é importante porque, no bioma, as atividades agrícolas ainda são caracterizadas por problemas como queimadas e superpastejo, que ocasionam redução da fertilidade do solo. No Semiárido brasileiro, o estoque de carbono orgânico pode ser reduzido entre 12% a 27%, em função de fatores como as condições climáticas e manejos inadequados.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Rafael Tonucci, o principal fator para esses resultados é que os sistemas integrados de produção favorecem a chamada “produção primária líquida” [aumento da produção de forragem e da vegetação herbácea] e a decomposição de matéria orgânica, a partir das culturas agrícolas e das árvores, promovendo tanto a cobertura como o incremento de carbono no solo. “Esse carbono vem, basicamente, da decomposição de raízes e das folhas que caem – a chamada serrapilheira, do capim e da cultura agrícola implementados nas faixas do sistema. Uma matéria orgânica de qualidade”, destaca ele.

No caso específico do sistema consorciado, Tonucci acrescenta que o incremento de nitrogênio se deve, principalmente, ao plantio consorciado com leguminosa e com a adubação utilizada. “Houve um aporte grande de nitrogênio pela entrada do feijão guandu e pela adubação em plantio convencional”, explica o pesquisador.

Nos testes, desenvolvidos no campo experimental da Embrapa em Sobral (CE), foram avaliadas amostras de solo em quatro diferentes áreas: vegetação nativa de Caatinga; sistema com cultivo de planta forrageira (milho ou sorgo) consorciado com capim Massai; dois sistemas agroflorestais (AFS 10 e AFS 20), com diferentes proporções de áreas de floresta nativa preservada e áreas agrícolas, compostos por remoção da madeira de interesse comercial e área agrícola com cultivo de sorgo (ou milheto), feijão e capim Massai.

 

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