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Estresse ambiental facilita ataque da podridão de ramos em pomares de laranja

🕔06.abr 2025

O principal motivo para que a doença apareça é o estresse causado sobre a planta de citros, como altas temperaturas, períodos de seca acentuados e ataque de outras doenças, como o greening. A podridão de ramo, também chamada podridão peduncular, gomose de ramo ou Bot gummosis (em inglês), é uma doença que tem preocupado citricultores devido ao aumento de sua ocorrência nos últimos meses no parque citrícola. O principal motivo para que apareça é o estresse causado sobre a planta de citros, como altas temperaturas, períodos de seca acentuados e ataque de outras doenças, como o greening.

A doença é causada por fungos da família Botryosphaeriaceae, conhecidos como “fungos Bot”, que incluem Lasiodiplodia e Dothiorella Eles podem permanecer na planta sem causar danos, mas se tornam patogênicos quando a árvore entra em situação de estresse. Esses fungos não afetam apenas citros, eles têm ocorrido também em outras plantas, como videiras e amendoeiras em diferentes regiões do mundo.

Os fungos Bot provocam podridões de ramo, pedúnculos e frutos, rachaduras na casca dos ramos e, em casos severos, o secamento de parte da copa ou toda ela. Em meio a esses sintomas de podridões nos ramos, observa-se a exsudação de goma, especialmente em tecidos mais jovens. Essa goma, de aspecto pegajoso e viscoso, é uma substância açucarada liberada pela planta como resposta de defesa ao estresse causado pela infecção dos fungos. “O fungo pode ficar, grosso modo, em dois estágios: endofítico, dentro dos tecidos sem prejudicar a planta, ou patogênico, quando começa a degradar as células para absorver nutrientes e se reproduzir”, explica o pós-doutorando do Fundecitrus Thiago Carraro.

O fator que mais tem favorecido a ocorrência da doença nos pomares paulistas é o estresse térmico e hídrico. “Tivemos um período de altas temperaturas e déficit hídrico em fevereiro e março deste ano, o que deixou as plantas bastante afetada, em algumas situações, além das questões climáticas, as plantas também estavam com outras doenças, o que as deixaram vulneráveis às infecções pelos fungos Bot.

Ao chover, o ambiente ficou mais úmido e os fungos infectaram e colonizaram os tecidos das plantas e os sintomas foram observados”, destaca o pesquisador do Fundecitrus Geraldo Silva Junior. Segundo ele, essa dinâmica também tem ocorrido em algumas safras nos meses de setembro e outubro, períodos nos quais a ocorrência da doença pode aumentar.

Vale lembrar que outros fungos também podem causar podridão de ramos e pedúnculos, o que reforça a necessidade de uma diagnose correta é muito importante. O monitoramento constante e a rápida identificação dos sintomas são fundamentais para evitar perdas produtivas. Para reduzir os impactos das podridões de fungos Bot, o manejo da doença requer a integração de práticas culturais, controles químico e biológico e mitigação de estresses, que pode ser feito com protetores solares para redução da temperatura.

O citricultor deve realizar também o manejo adequado das outras doenças. “A citricultura lida com o greening há mais de 20 anos, e agora precisa considerar também a presença de plantas doentes e estressadas pelo greening expressando sintomas de podridão de ramo”, reforça Geraldo.

Em outras culturas, os fungicidas mais eficientes têm sido os triazois (DMI), estrobilurinas (QoI), carboxamidas (SDHI), alguns multissítio e indutores de resistência, que inclusive já são utilizados para o controle de outras doenças fúngicas dos citros. “É importante aplicar os fungicidas preventivamente à infecção dos fungos Bot, principalmente em períodos de forte estresse seguidos por chuvas”, ressalta Geraldo.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE