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Como recuperar um solo degradado com práticas de manejo adequadas

🕔26.set 2023

Parte do carbono do solo originalmente sob uma mata pode ser perdido na conversão dela para pastagem. Mas, com práticas de manejo adequadas, as pastagens podem sequestrar carbono e devolvê-lo ao solo. É o que mostrou uma pesquisa realizada pela Embrapa Meio Ambiente, em parceria com o Instituto de Zootecnia (IZ), Instituto Agronômico (IAC) e Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, que avaliou o impacto da mudança de uso da terra de mata para pastagem e o potencial de sequestro de carbono por pastagens manejadas no bioma Mata Atlântica.

De acordo com Thais de Carvalho, em sua dissertação de mestrado, a adubação nitrogenada, o consórcio com leguminosas e o melhor gerenciamento do sistema de pastejo são práticas eficientes para sequestrar carbono para o solo. “As taxas de sequestro de carbono observadas foram de 3,3 a 4,4 toneladas de carbono por hectare por ano, indicando bom potencial para recuperação do carbono perdido na mudança de uso da terra, com possibilidade de superar o estoque do solo sob a mata”, explica Carvalho.

Para Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e orientador de Carvalho no mestrado, os resultados da pesquisa são importantes para o Brasil, que possui uma área de pastagem de aproximadamente 159 milhões de hectares, sendo o principal uso da terra no país. Estima-se que cerca de 64% dessa área apresenta algum nível de degradação, o que pode levar à emissão de gases de efeito estufa e à perda de produtividade.

Andrade explica, ainda, que as elevadas taxas de sequestro de C verificadas são possíveis nos primeiros anos após a adoção das novas e melhores práticas de manejo, mas devem reduzir ao longo do tempo, porém alcançando os valores antes na conversão, principalmente considerando fragmentos de mata  próximos a centros urbanos, submetidos a eventos esporádicos de fogo, como no caso da presente pesquisa.

A pastagem diferida é uma estratégia de manejo que consiste em selecionar uma determinada área da propriedade excluindo-a do pastoreio, geralmente no final do verão, com o objetivo de garantir a acumulação de forragem utilizada durante o período de escassez do recurso forrageiro. Já a rotacionada são áreas de pastagem divididas em piquetes que possuem períodos alternados de descanso e pastejo, tendo a vantagem de proporcionar maior controle sobre a pastagem. Assim, o pastejo tende a ser mais uniforme, resultando em maior eficiência.

 

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