Como o produtor pode proteger as plantações de amendoim do ataque de pragas
O carvão de amendoim, é uma doença causada pelo fungo Thecaphora frezii, patógeno que ataca as vagens, produzindo uma massa negra de esporos em substituição aos grãos. Conforme Dartanhã Soares, pesquisador, a doença não deixa qualquer sintoma na parte área, o que dificulta a detecção. “Normalmente a presença do patógeno na área de cultivo só é detectada quando ele já está amplamente disperso e os danos ocasionados já são elevados. Daí a importância de estudos preliminares para a detecção desse patógeno nos seus estágios iniciais de dispersão, de modo a se evitar as altas perdas de produção que têm sido observadas em outros países”, diz o pesquisador.
O agente causal do carvão do amendoim sobrevive no solo por longos períodos, mesmo na ausência do hospedeiro. A transmissão da doença se dá por meio de sementes, da dispersão de esporos pelo vento, e pelo trânsito de maquinário agrícola, o que facilita sua introdução em novas áreas de cultivo.
Não existem fungicidas comerciais registrados para o controle do patógeno. “Testes de eficácia conduzidos na Argentina têm demonstrado que a aplicação direta no solo é mais eficiente que a foliar. Além disso, os melhores resultados foram observados com aplicações noturnas, devido ao fato de as folhas da planta de amendoim estarem ‘fechadas’, facilitando que o fungicida atinja o solo. No entanto, os resultados têm sido bastante variáveis e ainda não existe uma estratégia segura de manejo”, relata o pesquisador da Embrapa.
“A doença só foi detectada em lavouras comerciais de amendoim na Argentina a partir da safra 1995/1996 e, desde então, vem causando sérios prejuízos à cultura no país vizinho. “Estudos recentes mostram que o patógeno está presente em praticamente 100% das lavouras de produção de amendoim Uma vez que o Brasil importa sementes de amendoim da Argentina, é preciso que sejam adotadas medidas preventivas visando reduzir os riscos de introdução desse patógeno em áreas comerciais de amendoim do Brasil”, alerta o pesquisador

