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Com irrigação o trigo pode render mais que o dobro da produção média nacional

Com irrigação o trigo pode render mais que o dobro da produção média nacional

🕔17.mar 2026

Um produtor do interior de São Paulo, cultiva 600 hectares de trigo com produtividade de até 90 sacas por hectare usando pivôs centrais e manejo de irrigação. É quase o dobro da média nacional. A marca é do produtor Simon Veldt que vem colhendo trigo irrigado com produtividade entre 80 e 90 sacas por hectare, quase o dobro da média brasileira. O resultado vem de um sistema produtivo baseado em irrigação por pivô central, rotação de culturas e monitoramento do uso da água.

A propriedade da família cultiva 1.700 hectares de cereais irrigados sob 32 pivôs centrais, distribuídos em seis fazendas nos municípios de Paranapanema, Itaí e Taquarituba. “O trigo sempre fez parte da nossa rotação, mas com a irrigação conseguimos alcançar um nível de produtividade que garante estabilidade na renda”, afirma o produtor.

Durante o inverno, cerca de 600 hectares da fazenda são destinados ao trigo, que além da produção de grãos também tem papel importante na conservação do solo. A cultura deixa uma palhada densa, essencial para o sistema de plantio direto, ajudando a proteger o solo, conservar umidade e reduzir erosão. “O trigo irrigado funciona como base do sistema. Ele gera renda e prepara o solo para as culturas seguintes”, explica Veldt.

A adoção da irrigação começou após anos de eventos climáticos extremos que afetaram a produção da família. Em 1983, o excesso de chuvas provocou perdas severas e erosão do solo. Dois anos depois, uma seca intensa trouxe novos prejuízos.

Foi nesse período que a família decidiu investir em irrigação. Os primeiros pivôs foram instalados em 1988, inicialmente voltados para trigo e feijão. Hoje, cerca de 75% da área agrícola da propriedade é irrigada.

O manejo da irrigação na fazenda conta com apoio técnico e ferramentas de monitoramento que ajudam a definir o momento e a quantidade de água aplicada em cada área. Parte dessa gestão é feita com tecnologias da Valley, empresa da Valmont Industries especializada em pivôs centrais e soluções de irrigação de precisão.

Segundo Geuzimar Terração, consultor que acompanha a propriedade, o manejo correto da irrigação é decisivo para o resultado. “O Simon trabalha com irrigação de forma muito técnica. Ele aplica água na fase certa da cultura e na quantidade correta. Isso garante produtividade alta e ainda reduz custos com insumos”, afirma.

Para garantir água mesmo em períodos de seca prolongada, a família construiu diversos reservatórios ao longo dos anos. As áreas foram protegidas com matas ciliares. Em parceria com produtores da região, foram plantadas cerca de um milhão de árvores nativas nos últimos 30 anos. “Essa é a nossa garantia de água para o futuro”, diz o produtor.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve alcançar cerca de 6,9 milhões de toneladas na safra 2026, com produtividade média estimada em 2.978 kg por hectare.

A Região Sul responde por aproximadamente 85% da produção nacional, com destaque para Rio Grande do Sul e Paraná. Mesmo assim, iniciativas em outras regiões, especialmente com irrigação, têm ampliado o potencial produtivo da cultura.

Além do trigo, a fazenda cultiva feijão, soja, milho, sorgo, algodão, cevada, aveia e milheto, mantendo atividades agrícolas durante todo o ano.

Para Veldt, a irrigação é uma ferramenta estratégica para garantir estabilidade na produção. “A irrigação não é apenas para enfrentar a seca. É uma forma de produzir com mais segurança, cuidar do solo e manter a atividade agrícola sustentavel,”  afirma.

 

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