A qualidade da planta nativa do sertão para alimentar os animais durante a seca
Pesquisas da Embrapa indicam o bom potencial do feno de leucena para compor rações para caprinos, seja como suplemento ou como principal volumoso. Os ganhos de peso observados podem ser importantes para finalidades como a melhoria da qualidade da carne, pela antecipação na idade de abate dos animais. A leucena, é originária da América Central e México, foi adaptada à pecuária de semiárido com sucesso, por sua adaptação às condições ambientais. Ela tem sido utilizada pelos produtores como suplementação na forma de feno e silagem, compondo reserva para suplementar as dietas de animais nos períodos sem chuva, quando os capins ficam mais pobres em proteínas.
Outra espécie que vem apresentando bom potencial em pesquisas da Embrapa é a catingueira. A planta tem sido usada por produtores na forma de feno da folhagem, como forma de suplementação. Experiências no Nordeste da Bahia verificaram a catingueira como importante fonte de alimentação tanto para rebanhos caprinos leiteiros, quanto para ovinos de corte. As pesquisas registraram cabras produzindo até seis litros de leite por dia com o consumo do feno associado a palma e concentrados. No caso de ovinos, podem-se encontrar, em pleno período de seca, animais em fase de crescimento, criados em pasto nativo, com até seis meses de idade, apresentando conformação corporal adequada para abate, consumindo uma mistura do feno com milho em grão.
Já uma outra espécie, a faveleira, distribuída por quase toda a extensão do semiárido brasileiro, tem sido apontada, no saber popular, como um fator responsável por uma qualidade diferenciada da carne de cordeiros na região dos Inhamuns, no Ceará. Para os agricultores, é o consumo das folhas da faveleira que faz com que a carne dos ovinos na região tenha sabor único, hipótese que está sendo estudada em uma parceria da Embrapa, Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). “Se for comprovada a relação, poderá abrir caminho para termos um produto de indicação geográfica”, destaca Ana Clara Cavalcante.
Outras opções difundidas no semiárido atualmente são o cultivo de palma forrageira, espécie considerada de boa capacidade de adaptação, rusticidade e alta aceitação pelos animais, além das cactáceas nativas. A palma pode ser utilizada, inclusive, como fonte de água para os rebanhos durante a época seca do ano. Já as cactáceas, particularmente o xiquexique, o facheiro e o mandacaru, são também utilizadas no fornecimento de ração aos animais, apresentando bons desenvolvimentos em áreas de solos degradados.

