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O semiárido pode ser beneficiado com dois novos sistemas agrícolas

🕔20.nov 2018

Ugirassol e mamonama novidade importante é que os dois sistemas próprios para o Semiárido podem guardar mais carbono e gerar menos impacto ambiental. Os estudos vêm sendo realizados há uma década, tendo como referência para a fruticultura o cultivo da mangueira e para as hortaliças, o do meloeiro, ambos de grande importância comercial para a região, com inserção nos mercados interno e externo. Os sistemas propostos envolvem a adoção de técnicas e manejos simples, como o uso de coquetéis vegetais e o plantio direto.

Manter ou mesmo aumentar a produção, sem gerar custos adicionais e em equilíbrio com o ambiente. Esse foi o desafio que levou a equipe da Embrapa a desenvolver os dois modelos de agroecossistemas multifuncionais que garantem a produção sustentável de frutas e hortaliças no Semiárido brasileiro. Como resultado, os cientistas conseguiram minimizar a emissão de carbono, reduzir em até 30% os custos com insumos e aumentar a produtividade de 20% a 30%.

As pesquisas registraram um significativo incremento na qualidade e fertilidade do solo, com o aumento da retenção de carbono, evitando assim a emissão do elemento para a atmosfera na forma de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

Os resultados mostraram que é possível reverter os danos ambientais provocados pelo setor agrícola e pelas atividades que modificam o uso da terra, responsáveis por cerca de 14% e 17%, respectivamente, da emissão dos gases de efeito estufa no planeta, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

O plantio do meloeiro está em expansão nos estados de Pernambuco e Bahia e consolidado no Ceará e Rio Grande do Norte. O atual sistema de cultivo envolve a utilização de arações, gradagens e o preparo de camalhões como práticas de manejo de solo para o preparo da área.

Já os pomares de manga, concentrados no Vale do São Francisco, entre os estados de Pernambuco e Bahia, se estruturaram em torno da produção em larga escala, principalmente orientada para mercados de exportação. Ambos os cultivos dependem de irrigação e de insumos externos. Esses modelos, de acordo com a pesquisadora da Embrapa Semiárido Vanderlise Giongo, aceleram o processo de degradação do solo, diminuem o estoque de carbono e favorecem a salinização das áreas cultivadas.

Nos modelos de agroecossistemas sustentáveis propostos pela Embrapa, os experimentos de longa duração com a mangueira registraram, no terceiro ano de cultivo, um estoque no solo de 23,39 toneladas por hectare (Mg.ha-1) de carbono orgânico total (COT) e 4,50 Mg.ha-1 de nitrogênio total (NT), até 40 centímetros de profundidade. Os valores estão acima dos encontrados em áreas de cultivo convencional de mangueira (11,87 e 1,84 Mg.ha-1, respectivamente) e pouco abaixo das medições feitas no ambiente de Caatinga preservada: 35,06 e 4,83 Mg.ha-1.

O impacto das melhorias nas condições físicas, químicas e biológicas do solo se estendeu também à produtividade comercial. No cultivo do meloeiro, por exemplo, a produtividade variou de 36,14 a 49,87 toneladas por hectare. São quantidades superiores às médias nacional e nordestina, que são de 25,37 e 28,00 Mg.ha-1, respectivamente.

De acordo com a pesquisadora, o modelo proposto pela Embrapa tem um custo inicial maior que os sistemas convencionais, em razão da aquisição das sementes para os coquetéis. Ela destaca, no entanto, que esse custo vai se diluindo ao longo do tempo. Além disso, para a agricultura familiar, as sementes para os ciclos seguintes podem ser produzidas na propriedade

 

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