Um milho diferente e com características especiais
O milho-doce está na categoria de milhos especiais, em razão de suas características genéticas serem diferentes das do milho commodity,milho grão. “O milho-doce ainda é caracterizado também como uma hortaliça, por causa do curto espaço de tempo que leva do plantio à colheita, cerca de 85 a 90 dias, quando as espigas estão com aproximadamente 80% de umidade”, afirmou o pesquisador Israel Alexandre Pereira Filho, da Embrapa Milho e Sorgo.
Segundo ele, o milho-doce verde diferencia-se do milho-verde normal pela concentração maior de açúcares. Enquanto o milho-verde normal tem em torno de 3% de açúcar e 60 a 70% de amido, o milho-doce tem de 9 a 14% de açúcar e de 30 a 35% de amido. A categoria superdoce tem mais açúcar que a doce, com o percentual em torno de 25%, e ao redor de 15 a 25% de amido. “Por causa das altas concentrações de açúcar e baixas de amido, o milho-doce não se presta para fazer curau, pamonha, bolo, por exemplo, porque não proporciona liga, em função do baixo teor do amido”, explicou Israel.
A pesquisadora Flávia França ressalta que o maior acúmulo de açúcar no grão do milho-doce é uma característica genética natural de alguns tipos de milhos, que por essa razão são considerados milhos especiais. “O melhoramento de milho-doce trabalha com materiais específicos que possuem essas características de apresentarem grãos mais doces. Assim como no melhoramento de milho comum, diversos caracteres agronômicos são considerados no desenvolvimento de cultivares de milho-doce, tais como produtividade, ciclo, porte da planta e resistência a patógenos”, disse a cientista.
Para orientar o agricultor sobre o cultivo do milho-doce, a Embrapa acaba de lançar o livro “O Cultivo do Milho-doce” que foi escrito com a participação de 27 pesquisadores, mas os editores técnicos são os pesquisadores Israel Alexandre Pereira Filho e Flávia França Teixeira. Os interessados poderão comprar o livro por R$ 25,00 na Livraria Embrapa.

