Autorizada patente para método que vai acabar com o percevejo que ataca plantações de arroz
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa patente de tecnologia que vai ajudar rizicultores brasileiros a se livrar de uma das piores pragas da cultura: o percevejo-do-colmo do arroz (Tibraca limbativentris). O método se baseia em substâncias produzidas pelos próprios insetos, que são usadas para a comunicação entre eles, os semioquímicos, dispensando o uso de defensivos químicos.
A carta patente intitulada “Composições e métodos para atração e extermínio de percevejos do gênero Tibraca” (PI 0604617-7) é de autoria dos pesquisadores Miguel Borges, Maria Carolina Blassioli Moraes, Raul Alberto Laumann, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e José Alexandre Freitas Barrigossi, da Embrapa Arroz e Feijão, (GO). Trata-se do resultado de um trabalho de mais de 15 anos e que agora depende de parceria com empresa privada para a sua produção em escala e comercialização.
A tecnologia se baseia na utilização de feromônios para monitorar e controlar os percevejos nas lavouras brasileiras. Trata-se de um método seguro, com grande potencial de utilização em programas de manejo integrado de pragas (MIP) porque pode reduzir significativamente e, até mesmo, eliminar a utilização de defensivos químicos nas lavouras. Além de ineficientes para controlar os percevejos, esses agrotóxicos causam resistência nos insetos, são nocivos a quem os aplica, eliminam insetos benéficos como as abelhas e, no caso do arroz irrigado, pode contaminar a água de rios e mananciais.
A fonte para a tecnologia de semioquímicos é a própria natureza. Os cientistas observaram que os insetos utilizam substâncias químicas para “avisar” aos outros insetos sobre demarcação de território, alimentação, risco de predadores, reprodução, etc. Quando essa comunicação ocorre dentro da mesma espécie, o composto químico é chamado de feromônio. É como a linguagem humana, só que com substâncias químicas no lugar das palavras.
De posse desse conhecimento, a equipe liderada pelo pesquisador Miguel Borges começou a extrair feromônios em laboratório para depois colocá-los em armadilhas a serem distribuídas nas lavouras. “No caso dos percevejos, trabalhamos principalmente, com os feromônios sexuais produzidos pelos machos”, conta o cientista.
Após a identificação, o feromônio natural produzido pelo inseto é sintetizado em laboratório e formulado em liberadores que mimetizam o processo que ocorre na natureza. Eles são então colocados em armadilhas no campo para a captura e monitoramento das fêmeas.
As armadilhas com os feromônios são distribuídas nas lavouras com o objetivo de enganar os insetos. Ao identificarem o cheiro dos machos, as fêmeas são atraídas e capturadas na armadilha. O intuito final é monitorar e controlar as populações dos percevejos-praga e, consequentemente, reduzir os danos às plantações.

