Uma hortaliça pouco conhecida está no mercado para o produtor
A physalis é uma hortaliça fruto da família das solanáceas, da qual fazem parte o tomate, a berinjela e o pimentão. Trata-se de um fruto pequeno de alto valor e muito utilizado na ornamentação de sobremesas finas. No Brasil, está em andamento uma pesquisa para avaliar onde ela poderá se adaptar melhor. Até agora a cultivar physalis apresentou boas condições de adaptabilidade no bioma Cerrado.
“A proposta é estabelecer um sistema de produção para facilitar os tratos culturais e entender como a planta deve ser conduzida no campo e, ao mesmo tempo, avaliar as características do fruto que são essenciais para atender as demandas de mercado”, pontua o pesquisador Raphael Melo, da área de fitotecnia da Embrapa Hortaliças.
Os primeiros testes foram conduzidos sem aporte de qualquer insumo químico, e as plantas foram tutoradas com bambus e barbantes, para facilitar os tratos culturais e a colheita, diminuindo a necessidade de intensa mão de obra.
O grande diferencial foi conduzir as plantas em espaldeira, mantendo até uma altura de 80 cm sem vegetar, somente com a condução de duas ou três hastes. Dessa forma, a plantas ficaram menos suscetíveis às pragas como lagartas e obtiveram mais nutrientes disponibilizados para a copa, que teve franca produção.
Além do bom rendimento das plantas, as primeiras avaliações relacionadas à qualidade do fruto indicaram um elevado teor de sólidos solúveis, que são compostos responsáveis pelo sabor, principalmente açúcares. Os valores medidos apontaram frutos com 18º Brix, sendo que um grau Brix (1º Bx) equivale a um grama de sólidos solúveis, sendo a maioria açúcares, por 100 gramas de solução, ou seja, 1% de açúcares e demais compostos.
A Colômbia é o maior produtor mundial de physalis, exportando os frutos para outros países da América, mas principalmente para o continente europeu. “Nesse país, o sistema de produção apresenta um elevado nível tecnológico para atender o mercado externo. Enquanto eles focam a exportação para outros países, o Brasil pode viabilizar a produção para atender esse nicho do nosso mercado interno e evitar a dependência do produto estrangeiro”, contextualiza o pesquisador Raphael Melo ao ponderar que, embora o calibre do fruto colombiano seja maior, nosso fruto apresentar maior teor de sólidos solúveis, sendo, portanto, mais adocicado.

