A Embrapa mostra ao mundo as Soluções do Semiárido brasileiro para combater a desertificação
Soluções desenvolvidas no Semiárido brasileiro para restaurar áreas degradadas e ampliar a resiliência às mudanças climáticas foram apresentadas na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia. As experiências integram o Projeto EtnoCaatinga e envolvem práticas de manejo e conservação de solo e água, conservação de sementes nativas, sistemas agroflorestais e tecnologias sociais voltadas à recuperação de terras secas e a adaptação das comunidades aos efeitos do clima.
A participação brasileira ocorreu no contexto das discussões sobre desertificação e restauração de áreas degradadas, com foco em soluções adaptadas às realidades regionais. A pesquisadora Bárbara Dantas, da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE), coordenadora técnica do EtnoCaatinga, fez a apresentação das tecnologias, durante o evento na Mongólia. O projeto é executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA).
Desenvolvido nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, o Projeto EtnoCaatinga atua em 15 comunidades tradicionais, incluindo territórios indígenas, quilombolas e de fundo de pasto (território de uso coletivo). A abordagem combina conhecimento científico e saberes locais em ações de diagnóstico socioambiental, planejamento da restauração, implantação de tecnologias e acompanhamento dos resultados.
Entre as soluções utilizadas estão barragens subterrâneas, barreiros-trincheira, sistemas de reúso de água, fogões ecoeficientes, sistemas agroflorestais, viveiros de mudas, casas de sementes e sistemas de energia solar, além de tecnologias como o Sisteminha Embrapa/UFU/Fapemig e iniciativas relacionadas à apicultura. As ações buscam melhorar o manejo de solo e água, diversificar os sistemas produtivos e ampliar a capacidade de adaptação das comunidades às condições do Semiárido.
O projeto também contempla práticas de recaatingamento, com recuperação do solo, produção e manejo de mudas e sementes de espécies nativas e implantação de sistemas agroflorestais. Outra frente é a conservação e o beneficiamento de sementes, que contribuem para ampliar a disponibilidade de material vegetal adaptado às condições locais.
Na COP17, as experiências do EtnoCaatinga integram diversos debates. Para a pesquisadora Bárbara Dantas, a participação no evento amplia as possibilidades de intercâmbio técnico e compartilhamento de experiências. “A COP17 possibilita apresentar experiências desenvolvidas no nosso Semiárido e, ao mesmo tempo, conhecer estratégias adotadas em outras regiões. Esse intercâmbio é muito importante para aprimorar metodologias de restauração e identificar soluções que possam ser adaptadas às diferentes realidades sociais e ambientais”, ressalta.

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