O Governo brasileiro perde protagonismos para financiar o agronegócio
O Plano Safra 2026 foi anunciado pelo governo federal e ja desperta críticas dos especialistas. O consultor Octaciano Neto, fundador da Zera, consultoria especializada em soluções de crédito e financiamento privado para o agronegócio faz uma análise do Plano Safra: “O anúncio do Plano Safra reforça uma tendência que já dura décadas: o governo federal vem perdendo protagonismo no financiamento da agricultura brasileira.
No relato do especialista, a presença do Governo Federal para os financiamentos e créditos do segmento rural vem mudando desde a década de 1980, quando cerca de 6% do orçamento federal era destinado ao agro. Hoje, esse percentual gira em torno de apenas 0,5%. Essa redução explica por que o Estado já não consegue sustentar, sozinho, as necessidades financeiras de um setor que cresceu de forma extraordinária.
Para Otaviano, hoje, a demanda anual de crédito do agronegócio brasileiro está próxima de R$ 1 trilhão. O Plano Safra responde por apenas cerca de um terço dessa necessidade. Os outros dois terços já são financiados pelo mercado, por fornecedores, tradings, cooperativas, bancos privados e instrumentos do mercado de capitais.
Mais do que isso: quando se descontam as equalizações e se considera o efetivo esforço fiscal da União — incluindo a renúncia tributária das isenções de Imposto de Renda e os subsídios ao crédito — o desembolso público não passa de aproximadamente R$ 40 bilhões por ano.
Ele destaca que é uma demonstração clara de que o governo vem acelerando a perda de protagonismo no financiamento da agricultura. O futuro do agro brasileiro dependerá cada vez mais da capacidade de atrair capital privado, ampliar o mercado de capitais e utilizar os recursos públicos como instrumento de alavancagem, e não mais como principal fonte de financiamento.”

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