A natureza é beneficiada com uso da técnica de educação e comunicação
“Podemos entender a Educomunicação como um processo de interação entre a comunicação e a educação, onde a comunidade faz parte da produção da comunicação, partindo do ponto principal em que a educação é participativa. Então é a própria comunidade que vai produzir a comunicação que vai ser recebida por ela mesma”. A explicação é de Gabriela Valadares, Relações Públicas e especialista em Educomunicação.
A Educomunicação é a junção de processos de educação e de relações sociais com foco em uma determinada situação-problema e na integração e envolvimento da comunidade local. O processo é revestido por técnicas que estimulam a criatividade e a educação participativa na construção espontânea de conhecimentos e de alternativas de soluções.
Uma das experiências em educamunicação, vem sendo desenvolvida pelos pesquisadores da Embrapa Solos – Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento do Recife (UEP/Recife). O projeto trabalha na preservação de nascentes e rios em São Vicente Férrer, município da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Já a pesquisadora da Embrapa, Selma Tavares, esclarece que o objetivo principal do trabalho em São Vicente Férrer é alcançar mudanças de atitudes, sendo que essas mudanças são frutos de uma conscientização verdadeira e os reflexos poderão assegurar a perspectiva de um desenvolvimento sustentável.
A pesquisadora explica como são feitas as etapas do trabalho junto à comunidade. A primeira prática deste processo de Educomunicação é a definição do problema em função da degradação de nascentes e afluentes de dois importantes rios que nascem em São Vicente Férrer. Em seguida, dando continuidade às práticas, foi realizado um seminário e feita a apresentação da proposta destinada à integração da comunidade ao processo de educomunicação. Dentre as técnicas de educomunicação, foram realizadas oficinas de música, dança, teatro e pintura, todas trabalhadas com foco na solução do problema, além de um diagnóstico sobre o problema existente.
A pesquisadora conta que o trabalho tem proporcionado uma dinâmica de movimentação voluntária e participação global de escolas e de agricultores donos de terras que beiram as nascentes e rios. Quatorze nascentes já estão mapeadas e plotadas no mapa do município como documentações da realidade inicial deste processo para serem referência no acompanhamento de mudanças. Hoje já se percebem algumas ações voluntárias de reflorestamento, de substituição da agricultura às margens dos rios por árvores permanentes, resultando na minimização de agrotóxicos em seu leito.

