Nordeste Rural | Homepage


No Maranhão agricultura familiar mais produtiva e sustentável

🕔09.jul 2025

Um conjunto de tecnologias modernas, que alia custos acessíveis e sustentabilidade, tem aumentado significativamente a produtividade de culturas agrícolas de importância alimentar – como mandioca, arroz, milho, feijão, entre outras – em propriedades do Maranhão. Essa é a Roça Sustentável, um pacote de soluções referenciado no Sistema Bragantino da Embrapa, desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental (AM) e adaptado pela Embrapa Maranhão (MA) para as condições do estado, que já resultou, por exemplo, em aumento de produtividade de 50% de arroz e milho, e em ganho temporal de sete meses para a colheita de mandioca.

A solução tecnológica surgiu em um processo de inovação aberta, dentro das propriedades dos agricultores familiares, para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias em lavouras da agricultura familiar em que os cultivos eram realizados em área compartilhada, sem qualquer coerência técnica ou econômica.

Segundo o analista Carlos Santiago, responsável pela implementação da tecnologia em municípios maranhenses, sem o uso da Roça Sustentável, a produção média de mandioca no Maranhão é de 8 toneladas por hectare após 18 meses de cultivo. Com a tecnologia, em 11 meses de cultivo a produção atinge 30 toneladas por hectare. “Trata-se de um policultivo das culturas mais produzidas pelos agricultores familiares, seja para consumo familiar ou comercialização. A ênfase é nas variedades em uso na região e preferidas pelos agricultores. A iniciativa aumentou o leque de produtos do agricultor familiar com excelentes resultados de produtividade e qualidade dos produtos”.

A lógica do consórcio é diversificar a produção e otimizar a produtividade com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para isso, os cultivos são dispostos em fileiras de forma a não haver competição por nutrientes, água, luz e espaço. Além do consórcio, o sistema preconiza a rotação de culturas com uso de “safrinha”, prática que intensifica o uso da terra e maximiza o aproveitamento do período chuvoso. O objetivo é que essas novas técnicas contribuam para modernizar sistemas de produção tradicionais, como o de “roça no toco” (no qual uma área de vegetação é derrubada, queimada e utilizada para plantio), sob bases sustentáveis, ou seja, com sem necessidade de fogo e desmatamento.

Em termos ambientais, a reconfiguração da “roça no toco” evita a abertura de novas áreas e a prática de “derruba e queima” ao cultivar a terra e as lavouras de acordo com suas necessidades nutricionais e de prevenção de pragas e doenças. Além disso, ao incentivar o consórcio e a rotação de culturas, a tecnologia permite incrementos na ciclagem de nutrientes, manutenção da biodiversidade, conservação do solo, controle de ervas daninhas e manejo de pragas e doenças das culturas.

No Maranhão, estado de grande diversidade edafoclimática, a Roça Sustentável atualmente tem projetos na região amazônica e no Cerrado, onde está a fronteira agrícola do Matopiba. São duas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em São Raimundo das Mangabeiras e em Balsas; três em Itapecuru-Mirim (quilombo de Canta Galo, Jaibara dos Nogueiras e Outeiro dos Nogueiras); e uma em São Luís, em área rural do bairro Maracanã.

O conjunto tecnológico consiste em técnicas de manejo e arranjos espaciais com sustentabilidade e impactos na redução do fogo na agricultura, no combate à pobreza e redução da fome, por meio da produção diversificada de alimentos. As práticas agrícolas aliadas ao uso de defensivos corretamente utilizados intensificam a eficiência do uso da terra e ainda recuperam áreas degradadas. Também aumentam a fertilidade do solo e a nutrição das plantas. Ou seja, trata-se de um sistema de cultivo convencional, no qual é permitido o uso de herbicidas e inseticidas, se necessário, na hora certa e na dose certa. O uso da dose recomendada no momento certo provoca o mínimo impacto ambiental possível, com eficiência necessária para surtir o efeito desejado. “A lavoura, livre de mato, doenças e pragas, produz muito mais, com menos esforço físico do produtor, ou seja, há também redução da carga de trabalho e do gasto com mão de obra. Isso significa mais economia e tempo para as pessoas envolvidas cuidarem de outras atividades e da família. O retorno social é a melhoria da produtividade, segurança alimentar, renda e qualidade de vida da família e comunidade do produtor familiar, contribuindo para o desenvolvimento regional”, enfatiza.

 

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE