Madeira nobre movimenta o mercado brasileiro com meio bilhão de reais
Os produtores já estão chamando o Mogno Africano de ouro verde porque a madeira tem boa rentabilidade após cumprir ciclo para o corte. O crescimento da produção do Mogno Africano, como lavoura executada de forma profissional, cresceu nos últimos cinco anos no País. Trata-se de uma espécie que ainda está entrando no mercado brasileiro, mas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), movimenta em torno de R$ 500 bilhões por ano em todo o conjunto de operações para o plantio, corte e comercialização. A afirmação é do diretor-presidente do Instituto, o biólogo e engenheiro florestal, Solano Aquino Martins.
A importância do cultivo da madeira, no Brasil, foi apresentado, em São Paulo, durante o II Workshop Internacional de Mogno Africano que reúne especialistas, produtores, pesquisadores e autônomos. As cifras do Mogno Africano são os maiores atrativos para atrair investidores. O preço do metro cúbico segue o mesmo valor de outras madeiras nobres nativas com abate legal, em torno de R$ 2.500,00, permitindo bom lucro ao final do ciclo, em média de 15 a 17 anos para o corte. O Mogno Africano representa um investimento seguro, mais que o dinheiro na poupança.
No mesmo momento em que o investidor termina o plantio da floresta de mogno, a terra já valoriza automaticamente, então o investidor nunca vai perder dinheiro com esta operação. “O valor da madeira ao final do seu ciclo é excelente. Não apresenta riscos do ponto de vista legal por se tratar de uma espécie exótica, o que faz com que a sua extração nunca venha a ser proibida ou dificultada de alguma forma. E, no campo comercial, a madeira nobre tem e sempre terá mercado e o valor tende a subir, porque está cada vez mais difícil a extração de madeira proveniente de florestas nativas”, salienta Solano.
O mercado brasileiro, apesar de incipiente na produção deste tipo de madeira, já possui um movimento financeiro extremamente alto, com tendência ainda maior, em razão do crescente interesse pelo Mogno Africano. O meio bilhão de reais do mercado está relacionado à comercialização de sementes, construção de viveiros de germinação, produção de mudas, construção de viveiros de rustificação, assessoria técnica, visitas a campo, coleta e análise de solo, correção de solo, plantio, manutenção, assessoria jurídica, assessoria comercial e transportes. “É toda uma cadeia que envolve empresas de vários segmentos, desde os normais players destes segmentos como viveiristas, empresas de plantio e manutenção de lavouras, até advogados e economistas”, relata o engenheiro florestal.
Não há uma área mínima definida para que o negócio seja viável, obviamente segue o mesmo padrão de qualquer outro negócio. Projetos maiores abrem possibilidade para um maior poder de negociação face aos fornecedores de mudas, insumos e serviços e isso faz com que haja um custo unitário mais baixo, tornando automaticamente a floresta mais rentável”, diz Solano.
Mas o pequeno proprietário rural, que tem apenas 1 hectare de terra, não precisa temer esse fato. Segundo Solano é uma forma de investimento bastante democrática. “Ainda que pouca terra, o plantio de Mogno Africano continua sendo um excelente investimento. Mais importante para o sucesso comercial da floresta é como vai ser implementada e não quanto vai ser implementado. E ai é bom cercar-se de especialistas a todos os níveis que irão orientar de forma correta o investidor”, complementa.

