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A árvore símbolo da Amazônia será estudada para melhorar seu desempenho produtivo

🕔08.fev 2022

A castanheira é fonte de renda para mais de 170 mil pessoas no bioma Amazônia. Nos últimos cinco anos, movimentou em média R$ 116 milhões por ano, só no Brasil. Praticamente toda a produção da castanha-da-amazônia que gerou essas divisas é oriunda de florestas nativas e, apesar dos valores atuais não serem competitivos como muitas outras comodities, seu valor social e para as comunidades tradicionais é incontestável. Pesquisas que possibilitem a seleção de plantas mais produtivas e que estejam mais adaptadas às condições climáticas atuais são fundamentais para a viabilidade da produção de castanha e para a conservação das florestas na Amazônia.

Para avançar no manejo desta espécie, cientistas da Embrapa e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão fazendo o sequenciamento genético da castanheira (Bertholletia excelsa), árvore ícone da floresta Amazônica não só por seu tamanho e exuberância, mas por sua importância social, econômica e como espécie chave para a conservação das florestas. O estudo inédito já produziu informações genômicas importantes e uma de suas maiores contribuições estará na aceleração do melhoramento genético da espécie.

Como se trata de uma árvore de longo período de vida, com o melhoramento genético clássico, seriam necessários cerca de 50 a 200 anos para que fosse feita uma avaliação dos ciclos completos e a seleção das melhores plantas para a obtenção de características desejadas. Isso porque o pesquisador tem de estudar o comportamento de diferentes plantas em diversos ambientes e situações ao longo de todo o seu ciclo de vida para obter as respostas desejadas.

No entanto, por meio de sequências genômicas e da bioinformática, utilizando banco de genes disponíveis para outras plantas, será possível encontrar genes que indicam características importantes, como tolerância à seca, resistência a patógenos ou compatibilidade reprodutiva, por exemplo. Desse modo, plantas com melhor perfil são selecionadas rapidamente, por meio de uma análise genética.

Outro fator importante é que a castanheira é uma espécie que apresenta incompatibilidade genética, ou seja, há indivíduos na espécie que não conseguem se reproduzir entre si e produzir frutos. Isso torna a identificação de plantas que sejam ou não compatíveis fundamental. E o trabalho de sequenciamento já contribui nesse desafio, o genoma referência da castanheira revelou a presença de genes de incompatibilidade reprodutiva, trazendo oportunidades para uso de ferramentas genômicas no melhoramento, plantio e conservação da espécie. O reconhecimento dos determinantes de compatibilidade genética entre indivíduos pode facilitar a seleção de matrizes a serem utilizadas em programas de melhoramento e contribuir para o aumento da produtividade de castanhais.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE