Molécula de arroz transgênico reproduz molécula anti-Aids
Um avanço nas pesquisas acaba de ser divulgado. Dois pesquisadores, e um deles, brasileiro, obtiveram um meio viável de produzir o anticorpo 2G12, proteína que neutraliza o vírus da Aids. O trabalho foi desonvolvido na Universidade de Lleida, na Espanha. A brasileira Teresa Capell e o pesquisador Paul Christou conseguiram desenvolver um arroz transgênico que contém a molécula anti-HIV em seu DNA e, desse modo, a reproduz em larga escala e de maneira economicamente viável. Isso faz desse arroz uma possível biofábrica da molécula e já despertou interesse da indústria farmacêutica.
O trabalho de pesquisa foi divulgado na revista Plant Biotechnology Journal . “Trata-se da mais importante publicação científica da área de Biologia após as revistas Science e Nature,” afirma o pesquisador Elíbio Leopoldo Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) que participou da pesquisa.
Rech explica que os trabalhos foram coordenados pelos pesquisadores da Universidade de Lleida, na Espanha, e que a participação brasileira consistiu na análise do arroz modificado e na mensuração da quantidade da proteína 2G12 presente nele. “Trata-se de um sinal da qualidade da pesquisa brasileira, uma vez que os resultados do trabalho foram analisados somente pela equipe da Embrapa”, orgulha-se Rech. Esses trabalhos analíticos foram realizados por meio de métodos de espectrometria de massa executados pelo pesquisador André Melro Murad, da mesma Unidade da Embrapa.
A utilização dessas plantas como biofábricas para a produção em larga escala do anticorpo 2G12 tem como objetivo final o desenvolvimento de um gel com propriedades viricidas para que as mulheres apliquem na vagina antes do relacionamento sexual. Para concretizar esta etapa, a parceria com indústrias farmacêuticas é fundamental.

