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Produtores de São Paulo conseguem se credenciar para produzir leite de búfala orgânico

🕔11.jan 2020

Leite de búfala - orgânicoUm rigoroso processo de acompanhamento técnico, documental e de inspeção concluiu que duas propriedades do município de Sarapuí, na região de Itapetininga, em São Paulo, estão aptas a produzir, com certificação de leite orgânico de búfalas. As duas fazendas são vinculadas à Cooperativa dos Produtores de Leite de Sarapuí (Colaf). A certificação é a segunda do Estado de São Paulo e a terceira do Brasil – as outras propriedades certificadas ficam em Joanópolis, também em São Paulo e Valença, no Rio de Janeiro.

A zootecnista Ana Paula Roque, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fez o acompanhamento técnico do processo. Em 2019, ela foi uma das participantes do 2º Curso de Pecuária Leiteira Orgânica, oferecido pela Embrapa Pecuária Sudeste e fazenda Nata da Serra em São Carlos e Serra Negra.

Ana Paula conta que tudo começou em outubro de 2017, quando um laticínio de Valença (RJ) propôs a produtores da região pagar a mais pelo leite orgânico e apoiar o processo de conversão. Segundo ela, 15 produtores participaram dessa primeira reunião. Desses, cinco se interessaram em iniciar o processo. “O laticínio se comprometeu a pagar o consultor para planejar o manejo e a visita da certificadora no primeiro ano”, lembra. Ao longo da transição Ana Paula foi chamada para acompanhar. Ela atua na CDRS (Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável) em Itapetininga.

As propriedades certificadas são o Sítio São José, do produtor Adriano José Nunes de Almeida, e Sítio Nossa Senhora Aparecida, de Antônio Bento da Silva. Cada uma possui cerca de 60 hectares e em torno de 90 búfalas em lactação. Durante a conversão, o laticínio já se propôs a pagar 30% a mais pelo leite. Com a certificação, esse bônus passa para 50%.

Não é fácil chegar à certificação de orgânicos. Ao longo da transição, três produtores abandonaram o processo. “Eles desistiram no momento em que perceberam o nível de controle de tudo na propriedade, o nível de controle da gestão”, afirmou Ana Paula. A produção orgânica tem protocolos exigentes que devem ser seguidos para se obter a certificação. “As duas propriedades que conseguiram chegar ao final começaram do zero. Não tinham nenhum tipo de controle, nenhuma anotação financeira ou zootécnica. Nem brinco de identificação dos animais existia lá. Passaram do zero para o controle total, com 100% das anotações exigidas pela certificadora.”

O laticínio que está fomentando a produção de leite de búfala orgânico vai produzir muçarela e burrata. “O leite orgânico também vai agregar valor a esses produtos finais”, afirmou Ana Paula. A expectativa é que outros produtores passem a aderir à produção orgânica.

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