Nova tecnologia oferece bem estar para os bezerros
Bebedouros com bico proporcionam oportunidades para que bezerros satisfaçam seu instinto de sucção.
A pesquisa comparou o comportamento de bezerros da raça Jersolanda, criados em grupo, ao usarem bebedouros com bicos e dispositivos de fornecimento de água tradicionais.
Os bebedouros com bico reduziram a frequência de mamada cruzada de nove para cinco vezes ao dia.
A mamada cruzada é um comportamento indesejado, em que um bezerro suga outras partes de outro.
A prática preocupa os produtores que alojam sua criação em grupos, a pasto ou em confinamento, por colocar em risco a sanidade dos animais.
O uso dos bebedouros com bico não alterou o consumo de leite, a ingestão de ração nem o crescimento dos bezerros.
O estudo conduzido pela Embrapa e Unesp acompanhou 24 bezerros do nascimento ao desmame, em sistema coletivo a pasto, ração e sombra..
O uso de bebedouros acoplados com bico artificial é uma alternativa para reduzir o comportamento de sucção cruzada em bezerros leiteiros criados em grupo, a pasto ou em confinamento. A constatação resulta de pesquisa desenvolvida na Embrapa Pecuária Sudeste (SP), com o objetivo de buscar estratégias para melhorar o bem-estar dos animais, uma vez que alguns comportamentos, como a mamada cruzada, comprometem o seu desenvolvimento saudável.
Apesar dos ganhos para o bem-estar, os produtores frequentemente hesitam em adotar o modelo de criação de animais em grupo porque ele favorece a mamada cruzada. Essa prática se define pelo ato de bezerros sugarem-se uns aos outros, o que pode levar a lesões e a problemas de saúde e interfere no desempenho produtivo. Para a pesquisadora da Embrapa Teresa Alves, o que os leva a esse comportamento é a falta de estímulos de sucção adequados.
“Práticas como a separação do filho da vaca e a alimentação com leite restrita a determinados momentos limitam o comportamento natural do bezerro mamar em sua mãe e aumentam a regularidade da sucção cruzada. Assim, o acesso a um bico artificial nos bebedouros, para a oferta de água, é uma prática interessante, pois reduz a mamada cruzada e permite aos animais satisfazer seu instinto natural de sugar, ao longo do dia”, explica a pesquisadora.
Para Matheus Deniz, professor do Departamento de Produção Animal e Medicina Veterinária Preventiva da Unesp, em sistemas a pasto, um ambiente mais natural e enriquecido, essa estratégia é ainda mais relevante, pois aproxima o animal da experiência que teria junto com a mãe. “No estudo, observamos que os bezerros utilizaram o bebedouro com bico inclusive durante a noite. Ao proporcionarmos oportunidades para que satisfaçam o instinto de sucção, além de reduzirmos práticas indesejáveis como a mamada cruzada, promovemos melhores níveis de bem-estar sem comprometer o desempenho zootécnico dos bezerros”, observa.
Alves complementa que a interação social melhora o desenvolvimento e o crescimento dos bezerros, ao mesmo tempo que fortalece a capacidade de lidar com mudanças de ambiente e situações de estresse, comuns na fase de desmame. “Quando optamos por um sistema coletivo de criação de bezerros, estamos pensando em criá-los dentro da estrutura para a qual ele foi desenvolvido. Os bovinos são animais gregários, vivem em comunidade. Quando estão em conjunto, aprendem e se socializam”, afirma.

