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Uma cultivar de uva tipicamente brasileira

🕔19.jan 2017

Uva - moscato brancoDiversos estudos, inclusive com a participação de pesquisadores estrangeiros, auxiliaram na caracterização molecular por meio de testes de DNA, que confirmam que a Moscato Branco tem identidade comprovada e não é uma mistura de materiais. A” ‘Moscato Branco’, cultivar referência da Indicação de Procedência Farroupilha para vinhos finos moscatéis, não apresenta identidade com nenhuma das centenas de cultivares de uvas aromáticas moscatos descritas na viticultura italiana. Segundo registros apresentados pela pesquisadora e coordenadora do Programa de Melhoramento Genético da Uva da Embrapa Uva e Vinho, Patrícia Ritschel, a Moscato Branco já estava presente na Serra Gaúcha em 1932, quando foi introduzida na coleção da antiga Estação Enológica para multiplicação e distribuição para os viticultores.

Também, por meio da ampelografia (análise morfológica das diversas partes da videira, como os brotos, as folhas , os cachos e as bagas), chegou-se à conclusão de que são fortes os indícios de que a Moscato Branco, que responde por cerca de 50% do volume de produção das uvas moscateis do País, só é cultivada comercialmente no Brasil. A próxima etapa é compará-la a cultivares do tipo moscato mantidas em coleções de outros países, como Portugal, o que deverá resultar na prova definitiva do seu cultivo exclusivo em solo brasileiro.

A pesquisadora Patrícia Ritschel também apresentou uma ampla caracterização dessa cultivar, com o objetivo de identificar clones de valor agronômico e enológico, que posteriormente serão disponibilizados com sanidade superior, após limpeza de vírus e outras doenças fúngicas.

De acordo com Mauro Zanus, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, a produção da cultivar ‘Moscato’ é uma grande oportunidade para o setor. “Podemos diferenciar o vinho brasileiro e resgatar variedades históricas, como é o caso da ‘Moscato Branco’. Vamos fazer vinhos diferentes com variedades diferentes”, propôs Zanus.

Na avaliação do agrônomo e consultor Valdemir Bellé, o trabalho que vem sendo feito com a cultivar ‘Moscato Branco’ é importante para a vitivinicultura. “A cultivar é histórica na região e fazer o seu resgate, a limpeza, a identificação e a caracterização das cultivares e dos clones relacionados ao moscato e do polo produtor de Farroupilha são fundamentais para o seu uso e sua potencialidade em relação aos espumantes moscatéis”, avaliou.

 

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