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Uma cartilha ensina práticas seguras para dar mais competitividade às granjas produtoras de ovos

🕔27.ago 2018

galinha de posturaAs ações elaboradas ou validadas para valorizar a produção de ovos estão disponíveis na cartilha Requisitos básicos de biosseguridade para granjas de postura comercial. Elas reforçam e ampliam as recomendações da legislação brasileira estabelecidas pelo Programa de Sanidade Avícola (PNSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O PNSA estabelece as normas de regulamentação da produção avícola nacional e de vigilância epidemiológica e sanitárias para a Doença de Newcastle (DNC), Influenza Aviária (IA), Salmoneloses e Micoplasmoses, consideradas as principais doenças aviárias. “A proposta do nosso trabalho foi contribuir com a adoção das medidas previstas na legislação e acrescentar algumas recomendações, propiciando maior biosseguridade nas granjas e visando a prevenção de outros possíveis patógenos”, destacou a pesquisadora da Embrapa Sabrina Castilho Duarte, uma das autoras da publicação.

Isolamento da área de produção, instalação de telas, uso de um único acesso às granjas e áreas de desinfecção na entrada são algumas das ações recomendadas por pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves (SC) para que a produção de ovos fique livre de doenças e possíveis contaminantes. A biosseguridade é questão fundamental para a qualidade e segurança da produção, para a viabilidade econômica e para a garantia da competitividade das granjas de postura comercial.

“A adoção de medidas que fortaleçam a sanidade na produção permite a obtenção de um produto seguro, não apenas quanto à saúde do plantel, mas também para garantir a inocuidade à saúde dos consumidores, fortalecendo assim a competitividade da produção. Essas medidas devem ser adotadas em todo o ciclo de produção”, enfatiza a cientista.

A orientação dos pesquisadores na publicação inclui desde a localização e as distâncias necessárias de construção do aviário, passando por medidas de prevenção estrutural, procedimentos de rotina e de final de lote, até a gestão da biosseguridade. “Para manter a produção protegida é preciso adotar as medidas e procedimentos e ainda verificar continuamente quais são os fatores de risco e em quais aspectos o processo deve ser revisto e melhorado. Assim, tudo precisa estar anotado, padronizado e internalizado por todos os envolvidos nos trabalhos na granja”, destaca Duarte.

De acordo com os pesquisadores, a biosseguridade promove maior isolamento do aviário frente às ameaças, propiciando prevenção de doenças no plantel. A construção deve estar o mais isolada possível, longe de outras criações, e ter um único portão de acesso, evitando o trânsito de pessoas, veículos e animais no interior da produção. Também é importante que toda a instalação seja delimitada por cerca de isolamento. “O isolamento minimiza o acesso de pessoas e animais”, reforça.

A desinfecção na portaria de acesso à granja tem que ser respeitada também. As opções para a instalação de um sistema podem variar desde um arco de desinfecção, bomba de aspersão motorizada ou outro método capaz de garantir a higienização e desinfecção de veículos. A mesma recomendação de desinfecção é feita para a entrada do aviário. Nesse caso, de acordo com a pesquisadora, pode ser instalado um pedilúvio e realizar a troca de calçado ou colocação de propé (sapatilha descartável que envolve o calçado) antes de ter acesso à granja, logo no escritório de acesso.

Para o abastecimento de ração, a recomendação é de que seja instalado um silo no lado externo, próximo à cerca de isolamento, evitando que o caminhão circule na granja.

O analista João Dionísio Henn, que participa da autoria da publicação e lidera o projeto de Boas Práticas de Produção na Avicultura de Postura Comercial (BPP Ovos), destaca que o telamento dos aviários é outra importante medida de biosseguridade nas granjas. De acordo com ele, a entrada de pássaros, animais domésticos e silvestres no interior do aviário possibilita a disseminação de diversas doenças que causam impactos econômicos muitos grandes. Pode ocorrer também contaminação da ração e da água, transporte de ácaros e de piolhos, e disseminação aérea de microrganismos. “A tela é uma importante ferramenta, mas não podemos cometer o erro de telar o aviário e esquecer as demais medidas. A tela não evita contato com roedores, moscas, pássaros muito pequenos, e outras fontes de contaminação e disseminação de doenças”, lembra João Dionísio.

A recomendação, então, é a de que os procedimentos de rotina da granja estejam relacionados em um programa de biosseguridade. “Esse programa é constituído por um conjunto de medidas de higienização, imunoprofilaxia e monitoramento das aves, com o objetivo de assegurar a saúde dos plantéis e a qualidade da produção”, ressalta a pesquisadora da Embrapa Fátima Jaenisch, que também participa do trabalho. Isso significa que os produtores devem estar atentos para contemplar, além das medidas estruturais já citadas acima, vacinações, controle de acesso de pessoas, veículos e materiais, limpeza e higienização do ambiente de produção, adequado controle de pragas, descarte correto de aves mortas, dejetos e ovos não aproveitáveis, vazio sanitário adequado, treinamento dos colaboradores, entre outros aspectos.

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