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Um breve comentário sobre a história da Equitação

🕔21.out 2014

CCE - Cross Évora 2004 (2)Por
Paulo Guilhon*

Desde 2001 venho dedicando tempo de estudos teóricos e práticos relacionados à equitação acadêmica.
Há um ano estou residindo na Coudelaria Função (criatório de cavalos lusitanos e centro de treinamentos para equitadores e cavalos de equitação), e montando sob orientações do equitador português Ndzinji Pontes.

O termo “equitação acadêmica” tem origem no séc. XVI, em França, com a criação das Academias de Equitação (dez em Paris e dezessete nas províncias do território francês). O dicionário francês de 1777 define o termo ACADEMIA: “local onde a nobreza aprende a montar a cavalo e outros exercícios que lhe convém”.

Na Europa renascentista foram consideradas como artes acadêmicas a equitação, esgrima, dança e as ciências exatas. Curioso também é o significado da palavra CONSERVATÓRIO: “estabelecimento público destinado ao ensino das belas artes”.

O primeiro Conservatório de Arte Eqüestre criado em Portugal foi o de Vila Viçosa, posteriormente promovido a Academia de Vila Viçosa pelo Duque de Bragança, futuro D. João IV. Em 1808, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, este acervo de conhecimentos relativos à equitação aportou nessas terras, como conteúdo indispensável de sua bagagem.

A maioria de nós cavaleiros não sabe que o primeiro Tratado de Equitação da literatura européia foi escrito em 1434 por D. Duarte, então rei de Portugal, sendo a primeira edição publicada somente em 1842.
Todos esses aspectos são de relevante importância, pois a influência deles sobre a nossa cultura eqüestre é inegável.

Foi D.Pedro I quem criou o título “Estribeiro Mor”, uma espécie de gerente geral com funções que incluíam desde o comando das cavalariças reais e a inspeção dos assuntos eqüestres da Casa Real, até o acompanhamento pessoal dos membros da família real em suas excursões a cavalo. Ao Rei, o estribeiro mor calçava-lhe as esporas, assistia-lhe nos atos de montar e desmontar, ia à sua frente quando este saía do Paço, na retaguarda em suas jornadas, ao estribo direito do coche quando o Rei o utilizava. Cabia-lhe também o direito honroso de empunhar o estandarte real no início das batalhas, em caso de guerra.
A equitação acadêmica é verdadeira ciência, destilada a tal ponto, que se tornou a manifestação da expressão artística daqueles que apreenderam seus princípios e acessaram o cerne enigmático e indecifrável da essência que a constitui. De modo lamentável e inexplicável esse acervo trazido ao Brasil e entregue a nós pelos portugueses, diluiu-se em concentrações desprezíveis e cedeu lugar a outras formas da relação homem/cavalo por meio da equitação.

À medida em que estudamos e praticamos convenientemente a equitação acadêmica, universos inimagináveis descortinam-se diante dos olhos conferindo-nos não só as capacidades ginetas, mas, acima de tudo, discernimento eqüestre.

Os princípios acadêmicos da equitação são de aplicação universal, desde que saibamos adaptá-los aos diferenciados contextos do universo eqüestre. Àqueles que aspiram a cobiçada condição de Equitadores, faço a sugestão de estudo dessa “nobre arte científica”.

*Hipólogo / diretor do ‘Núcleo de Prestação de Serviços ao Cavalo’.
Autor dos livros ‘Doma Racional Interativa’ e ‘Ndzinji – a escola chamada cavalo’.

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