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Pesquisadores estudam a melhor forma de tratar das carcaças de animais mortos

🕔14.abr 2017

carcaça - sedeHá duas estratégias para a correta destinação de animais mortos: o tratamento dentro do estabelecimento agropecuário ou a remoção para centrais de tratamento. Em ambos os casos, é necessário avaliar o cenário e as condições em que a morte ocorreu, lembrando que óbito de animais por doenças de notificação obrigatória deve ser comunicada ao Serviço Veterinário Oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O descarte das carcaças de animais mortos é um problema que afeta a maioria das propriedades rurais produtoras de suínos, aves e bovinos. É importante que o produtor encontre uma forma segura de fazer a destinação de carcaças de animais que morrem por causas rotineiras ou catastróficas. A preocupação se deve especialmente à falta de uma regulamentação específica para a remoção e destinação que atenda os aspectos sanitários, ambientais e econômicos.

Para auxiliar produtores e órgãos regulamentadores, a Embrapa Suínos e Aves (SC) tem atuado na avaliação de algumas práticas e tecnologias apontadas como rotas tecnológicas, como a compostagem acelerada, a biodigestão anaeróbia, a desidratação, a incineração e a reciclagem industrial de carcaças (rendering) para a produção de farinhas, gorduras, fertilizantes e outros coprodutos de valor agregado. No entanto, essas rotas tecnológicas necessitam de uma validação para que possam ser indicadas oficialmente pelos órgãos regulamentadores.

O projeto TEC-DAM prevê também análise de risco, ferramenta importante utilizada pela epidemiologia veterinária para identificar e quantificar riscos de processos ou de sistemas de produção para uma ou diversas doenças infecciosas. O uso dessa ferramenta possibilitará aos gestores públicos e privados a tomada de decisão com maior segurança e melhor conhecimento dos riscos do processo de destinação de animais mortos fora das propriedades. Além de considerar os riscos do processo de remoção e transporte, o estudo envolverá também análise de risco no processo de produção de farinhas e gorduras para nutrição animal.

Ao tratar o problema dentro do estabelecimento agropecuário, o produtor pode optar pelas soluções tecnológicas já mencionadas, as quais estão sendo validadas pelo projeto. Por outro lado, a estratégia de remoção ainda carece de regulamentação específica no Brasil. Atualmente, este tema é objeto de um Grupo de Trabalho instituído pelo Mapa com participação da Embrapa (Portaria N.º 216/2016) e do Projeto de Lei N.º 5.851/2016 que tramita na Câmara dos Deputados.

A opção pela remoção dos animais mortos deve ser feita de maneira criteriosa, seguindo recomendações de biosseguridade, oficialmente legalizadas e regulamentadas, com rastreabilidade acompanhada pelo Serviço Veterinário Oficial. “Caso o processo ocorra de forma incorreta pode causar impactos negativos, tanto na disseminação de enfermidades nos rebanhos, quanto fechar as portas para o mercado exportador”, destaca o pesquisador da Embrapa Nelson Morés, integrante do projeto TEC-DAM.

Por outro lado, se feita de maneira correta, a remoção pode trazer impactos positivos para as cadeias produtivas, com benefícios econômicos, ao meio ambiente e aos trabalhadores nas propriedades. “A regulamentação da coleta e transporte de animais mortos pode gerar ganhos de escala nos processos de tratamento disponíveis para aplicação dentro da porteira quando utilizados em centrais de tratamento, como unidades regionais de compostagem, usinas de biogás, fábrica de fertilizantes orgânicos e organominerais”, explica o cientista.

Durante muitos anos, a compostagem foi a única tecnologia recomendada oficialmente no Brasil como destinação das carcaças. “Entretanto, com o crescimento da escala de produção, essa prática se mostrou insuficiente para absorver todo o volume de carcaças e garantir o manejo adequado desses resíduos. Com isso ocorreram outros tipos de descartes, resultando em problemas ambientais e trabalhistas”, conta Krabbe.

A biodigestão anaeróbia de animais mortos também pode ser recomendada, desde que atenda às seguintes condições: (a) as carcaças devem ser previamente trituradas para facilitar o processo; (b) as carcaças devem passar por um tratamento térmico que garanta a inativação de patógenos antes de entrarem no biodigestor; (c) a quantidade de carcaças a ser adicionada deve respeitar a capacidade operacional de cada modelo de biodigestor. O uso do biofertilizante (efluente do biodigestor) também deve seguir as normativas e recomendações técnicas oficiais para a sua reciclagem segura como fonte de nutrientes para a agricultura.

Já o uso de desidratadores é recomendado como alternativa para o tratamento térmico e redução do volume dos animais mortos. A temperatura e o tempo de desidratação devem ser definidos de acordo com a destinação do material desidratado: compostagem ou biodigestão anaeróbia, obrigatoriamente.

Os equipamentos incineradores, apesar de não serem apropriados para o tratamento da mortalidade rotineira de animais nas propriedades rurais devido ao seu elevado custo de operação, são recomendados para o tratamento de resíduos com elevado risco biológico. Esses equipamentos devem atender parâmetros de qualidade relacionados às emissões de gases e demais resíduos conforme regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (Conama/MMA 316/2002).

 

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