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Pesquisa mapeia áreas potenciais para construção de barragens subterrâneas em Alagoas

🕔29.jun 2020

BarragensSubterrâneas 1Estudo liderado pela Embrapa, no âmbito do projeto ZonBarragem, mapeou mais de 12 mil km2 do Agreste e do Sertão de Alagoas para indicar áreas potenciais para a construção de barragens subterrâneas, tecnologia social que permite o estoque de água no solo por longos períodos após as chuvas. O Mapa Generalizado de Áreas Potenciais para Construção de Barragens Subterrâneas irá subsidiar um programa estadual a ser iniciado em 2020 que construirá 50 barragens subterrâneas no Semiárido alagoano, beneficiando cerca de 200 famílias.

O mapeamento abrange 38 municípios e foi elaborado tomando como base o Zoneamento Agroecológico de Alagoas (ZAAL). As informações ajudarão os governos estadual e municipais de Alagoas no planejamento da ocupação dos ambientes mais adequados para construção de barragens subterrâneas de forma integrada com a aptidão das terras.

A partir de uma análise multicritério, com o cruzamento dos parâmetros solo, clima, relevo e geologia, o estudo delimitou três classes de potencial dos ambientes – alta, média e baixa – para a locação e implantação de barragens subterrâneas no Semiárido de Alagoas. Em seguida, as classes de solo foram espacializadas, dando origem ao mapa de potencial edafoclimático para construção de barragens subterrâneas.

“Com o objetivo de aferir as informações do mapa produzido, em cada classe de potencial delimitada foram efetuadas expedições de validações a campo, por microrregião, a partir de uma rede sociotécnica, com a participação de agentes de desenvolvimento e agricultores locais”, conta a pesquisadora da Embrapa Solos Maria Sônia da Silva, líder do projeto ZonBarragem.

A cientista explica que o estado de Alagoas, com uma área de aproximadamente 28.000 km², apresenta variações ambientais significativas em termos de solo, geologia, clima, vegetação e recursos hídricos, o que produz espaços com diferentes potencialidades para exploração agrossilvipastoril e alto risco de degradação ambiental. “O conhecimento dessas variáveis é vital quando se pretende implantar estratégias de desenvolvimento rural assentadas em bases sustentáveis. A utilização de ferramentas de gestão territorial, a exemplo do zoneamento edafoclimático, como método para auxílio de tomadas de decisões, vem crescendo no Brasil, principalmente com o objetivo de recomendar ações de uso e manejo do solo adequados aos diferentes cultivos”, informa.

Entre os destaques desse trabalho está o seu pioneirismo, conforme relata o pesquisador da Embrapa Solos André Julio do Amaral: “Alagoas será o primeiro estado do Semiárido brasileiro a realizar esse zoneamento, o que o tornará referência no uso e manejo adequado dessa tecnologia, bem como base para estudos em outros estados na Região Nordeste em ambientes de clima semiárido”.

 

 

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